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Brasil

Motorista de app é preso por morte de mulher que ia assistir a jogo da Copa

Polícia Civil apreendeu moto e fragmentos de celular queimado na casa de suspeito

Redação Jornal de Brasília

25/06/2026 16h59

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Foto: Reprodução

TIAGO MINERVINO
UOL/FOLHAPRESS


A Polícia Civil de Minas Gerais prendeu um homem de 30 anos apontado como principal suspeito pela morte de Joice Batiston, 27. Ela havia solicitado uma corrida por aplicativo para ir encontrar amigas para assistir ao jogo do Brasil na Copa, na sexta-feira (19), mas não chegou ao destino combinado.

Suspeito foi localizado na casa do pai, no interior de Varginha, na manhã desta quinta-feira (25), e não resistiu à prisão. Ele, que trabalha como motorista por aplicativo, era o piloto da corrida de motocicleta solicitada por Joice no dia em que ela morreu. As informações são do delegado Marcelo Farha Bizarra.

Homem foi encaminhado para a Delegacia de Polícia Civil de Varginha. O suspeito permaneceu em silêncio durante o depoimento e disse que só falaria na presença do advogado.

Polícia apreendeu uma motocicleta que estava em posse do suspeito. Não foi confirmado se essa é a mesma motocicleta que ele usava para trabalhar.

No endereço, os investigadores também encontraram fragmentos de um celular queimado. A suspeita é de que esse seja o aparelho de Joice, que havia sido levado no dia em que ela morreu. Os restos materiais do celular foram recolhidos e passarão por perícia.

Delegado informou que, inicialmente, o caso é tratado como acidente de trânsito e omissão de socorro.

“Todas as provas levam a crer que ele, não vou dizer homicídio, mas, inicialmente, que ele é o autor do acidente de trânsito [que resultou na morte de Joice]”, disse o delegado em entrevista à imprensa na porta da delegacia.

Bizarra não comentou se há suspeita de crime sexual, como aventado pela família de Joice. “Em um primeiro momento, estamos tratando como acidente de trânsito e omissão de socorro. Saindo os laudos periciais, vamos tentar ver a dinâmica dos fatos. [É preciso] aguardar o laudo pericial para saber realmente como foi o acidente”, completou o investigador.

Delegado disse que o primeiro laudo apontou traumatismo craniano como a causa da morte. Bizarra também confirmou que havia arranhões no corpo de Joice, que podem ter sido provocados pelo suposto acidente.

Suspeito poderá responder por três crimes. Se ficar comprovada a autoria do acidente, ele deverá ser indiciado por homicídio, omissão de socorro e fuga do local do acidente.

Como o suspeito não teve o nome divulgado, não foi possível localizar sua defesa. O espaço segue aberto para manifestação.

Joice Batiston havia solicitado a corrida de motocicleta por meio da plataforma 99. A jovem tinha combinado de encontrar algumas amigas para assistirem juntas ao jogo do Brasil contra o Haiti pela Copa do Mundo em um restaurante de Varginha, na sexta-feira.

Ela saiu de casa por volta das 22h para ir ao restaurante. Em uma troca de mensagens com uma amiga, Joice avisou quando o motorista a buscou na frente de casa, disse que já estava a caminho e que chegaria em breve. Essa foi a última mensagem que ela enviou.

Joice não chegou ao endereço combinado com as amigas. Ela foi encontrada por policiais militares gravemente ferida em um ponto da cidade que fica distante do local onde ela havia marcado de assistir ao jogo. A vítima estava sozinha e não havia sistema de monitoramento no local.

Policiais levaram Joice para a Unidade de Pronto Atendimento de Varginha. A mulher chegou com vida à unidade de saúde, mas não resistiu aos ferimentos e morreu.

Vítima tinha ferimentos espalhados pelo corpo. Ao UOL, o cunhado de Joice, Lucas Azeola Cesarino, descreveu a imagem da vítima morta como “brutal” e explicou que ela tinha um corte grande na região da testa, acima da sobrancelha, além de arranhões nas mãos e nos joelhos.

Suspeita inicial era de que Joice tivesse sofrido algum acidente, mas a família não acredita nessa versão.

“Se fosse atropelamento ela teria braço quebrado, estaria com a perna quebrada, teria muito machucado. Mas ela estava toda ralada e a região mais machucada foi o rosto [que em tese estaria protegido pelo capacete em caso de queda]”, disse a irmã dela, Josilene Batiston Delfino de Oliveira.

Rosto de Joice ficou “irreconhecível”, afirmou a irmã dela. “Ela estava irreconhecível. A gente só conseguiu reconhecer pelo corpo e a roupa dela. Ela foi sepultada com caixão lacrado porque o rosto estava muito machucado”, contou Josilene.

Irmã também disse que havia sangramento na região íntima de Joice, o que poderia indicar a possibilidade de abuso. Polícia não confirmou essa suspeita.

Família descreveu Joice como uma pessoa simples e meiga e pediu por justiça. “Nós queremos justiça, que o responsável seja preso. Ela era uma pessoa boa, trabalhadora, muito meiga, muito doce. Uma pessoa que era preocupada com a família. Ela era cheia de sonhos e sonhava em ter a própria família, casa própria”, completou Josilene.

Por meio de nota, a 99 informou que o motorista está bloqueado na plataforma até a conclusão das investigações. A empresa também lamentou a morte de Joice e disse colaborar com a polícia.

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