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Brasil

Mizael alega inocência e diz que fará apuração própria

Arquivo Geral

21/10/2010 19h20

Durou cerca de duas horas o depoimento de Mizael Bispo, ex-namorado da advogada assassinada Mércia Nakashima, no Fórum de Guarulhos, na Grande São Paulo. No quarto dia de audiência sobre a morte da advogada, o réu respondeu de forma calma às muitas perguntas feitas pelo juiz Leandro Jorge Bittencourt Cano, pela acusação e pela defesa. Ele reafirmou sua inocência e disse que fará uma “investigação própria” do crime assim que provar sua inocência.

“Confio na Justiça. Assim que provar minha inocência, vou fazer uma investigação própria”, afirmou. “A pessoa que cometeu esse crime vai pagar na mesma moeda (…) Não só quero como ainda vou vê-la atrás das grades.”

A promotoria questionou principalmente as ligações que Mizael fez para o vigia Evandro Bezerra Silva no dia do crime, 11 de junho. Citando dados da investigação, os promotores disseram que foram pelo menos 16 telefonemas, enquanto o réu disse lembrar de apenas “dois ou três”.

Segundo a acusação, o celular que o policial aposentado usou naquele dia não foi declarado por ele no início da investigação. Quando questionado, Mizael afirmou que não citou essa linha telefônica porque “não lembrava” que a possuía. Disse que comprou o celular para falar com Mércia, mas acabou utilizando-o para conversar com Evandro porque os números eram da mesma operadora.

Indagado sobre a terra encontrada em seus sapatos, que segundo a acusação teria um tipo de alga compatível à represa de Nazaré Paulista, onde o corpo da advogada foi encontrado, o policial aposentado negou ter ido ao local.

Tensão

O juiz teve de intervir algumas vezes no interrogatório, pedindo que a defesa não respondesse às perguntas feitas ao réu. O clima entre defesa e acusação era tenso. O advogado de Mizael, Samir Haddad Júnior, chegou a acusar o advogado da família de Mércia, Alexandre Sá Domingues, de incentivar as manifestações populares em frente ao fórum, que classificou como “orquestradas”.

Após Mizael, Evandro iniciou seu depoimento. Ele é o último a ser ouvido na audiência que vai determinar se os réus serão julgados em júri popular ou não. A decisão, porém, não será tomada nesta semana. A defesa entrou com um recurso de competência, que pede que o julgamento ocorra em Nazaré Paulista, e não em Guarulhos.

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