Menu
Brasil

Ministro avisa que vai pedir ilegalidade da greve

Arquivo Geral

07/05/2010 10h03

O ministro chefe da Advocacia Geral da União chamou o reitor da UnB para uma dura conversa no meio da tarde de quinta-feira e avisou que a paciência do governo com os grevistas da universidade está acabando. Luis Inácio Adams comunicou que a AGU irá pedir a ilegalidade da paralisação. Se a Justiça acatar o pedido, docentes e técnicos podem sofrer cortes no pagamento de salários. Será um fato inédito nos 48 anos de existência da UnB.

“Queria lhe pedir para rever essa decisão. A situação é grave. A universidade está praticamente parada. A adesão ao movimento é quase total. Na Faculdade de Direito, tradicionalmente conservadora em relação a greves, um único professor está lecionando”, rebateu José Geraldo. Seus argumentos não mudaram a decisão do ministro, mas Adams aceitou esperar até a próxima semana.

Luis Inácio Adams alega que a AGU esperou quase dois meses para entrar com uma ação judicial contra a paralisação e afirmou que considera cômoda a situação de grevistas em serviços públicos. “É como se eles tirassem férias. Eles param de trabalhar e continuam recebendo”, emendou um dos assessores de Adams.  

PALIATIVOS – O encontro entre o reitor e o ministro ocorreu no meio da tarde de quinta feira no edifício sede da AGU, com a presença de um funcionário da Presidência da República e outro do Planejamento. A princípio, representantes de docentes e servidores também participariam da reunião. Quarenta minutos antes do horário marcado, o ministro Adams e Manoel Messias, da Presidência da República, transferiram para o final da manhã de sexta-feira a audiência com os sindicalistas.

Adams alertou o reitor que, a partir de agora, o governo mostrará aos grevistas que está com o discurso afinado e que a Justiça tem acatado os pedidos da AGU contra greves de vários órgãos públicos. Foi o que ocorreu nos últimos dias com a paralisação no IBMA e no FNDE.

O reitor ouviu respeitosamente o ministro, mas rebateu as informações. José Geraldo explicou que os professores estão recebendo a URP integralmente e que os servidores não aceitam o tratamento diferenciado. “Lamento, mas é do jogo. Foram ações judiciais diferentes”.

Por várias vezes, o principal assessor de Adams, procurador Antonio Basso, cobrou do procurador jurídico da universidade, professor Davi Diniz, o documento com a resposta das 11 questões enviadas pela AGU na terça-feira sobre a greve. Davi ainda não enviou o ofício.

As perguntas servirão para fundamentar o pedido de ilegalidade da paralisação. “Vou mandar. Estou fazendo. Já avisei aos servidores que irei repassar essas informações. Elas, inclusive, servem para protegê-los. A greve tem cumprido todos os requisitos legais”, explicou Davi Diniz.   

Adams não ficou até o final da reunião. Ao sair, ponderou que o Executivo tem sua parcela de responsabilidade na crise da universidade, pois pagou a URP durante mais de duas décadas aos servidores da UnB e que por isso é necessário um esforço do governo para minimizar as perdas. Ele ressaltou, no entanto, que só haverá negociação desses paliativos com a saída da greve.

    Você também pode gostar

    Assine nossa newsletter e
    mantenha-se bem informado