Doença inicialmente assintomática, a fibrilação atrial é a arritmia mais comum da prática clínica, acometendo entre 01 e 02% da população. Ou seja: o Brasil tem hoje cerca de 2 milhões de portadores da doença. “Ela é responsável por até 1/4 dos derrames e, sem dúvidas, ocasiona acidentes vasculares cerebrais mais graves”, afirma o presidente da Sociedade Brasileira de Cardiologia – Seção DF, Dr. Luiz Leite.
O especialista, que atua em Brasília, é um dos porta-vozes de uma campanha que acontece nesta quinta-feira (04.08), no vão livre do MASP, em São Paulo. A iniciativa é da Sociedade Brasileira de Arritmias Cardíacas (SOBRAC) e tem por objetivo orientar a população a identificar a eventual presença da fibrilação atrial. “É possível identificar a arritmia a partir da avaliação do próprio pulso. É muito importante que as pessoas saibam como fazê-lo e procurem um serviço diante de suspeitas”, explica Dr. Luiz.
No âmbito da saúde pública os dados internacionais são impactantes. Nos EUA, ocorrem em média 5 diárias de internação por pessoa com fibrilação atrial anualmente, o que gera um custo de US$ 4.800/pessoa/ano – sem contar os custos indiretos causados por derrame e cardioversão elétrica ambulatorial. No Reino Unido, 1% de todos os gastos em saúde destina-se ao tratamento de intercorrências advindas da patologia.
A incidência da fibrilação atrial é menor em jovens – 1% – e maior nos idosos, alcançando 9% na população a partir dos 75 anos de idade. Quando apresenta sintomas, usualmente são: batedeira (palpitações), cansaço, falta de ar e até mesmo desmaio. Qualquer pessoa pode ter a doença, mas os hipertensos, diabéticos, obesos e aqueles que já apresentam alguma doença no coração estão em maior risco.