Em 2025, 9,4 milhões de crianças de 0 a 5 anos estavam matriculadas em escolas ou creches no Brasil, segundo o módulo Educação da Pnad Contínua, do IBGE, divulgado em junho. O levantamento mostra que o atendimento às crianças de 0 a 3 anos chegou a 43,3%, o maior percentual da série histórica iniciada em 2016, com cerca de 4,5 milhões de bebês e crianças em creches.
O resultado representa alta de 11% em relação a 2016, quando o índice era de 31,8%, e avanço de 2,2 pontos percentuais na comparação com 2024, quando havia alcançado 41,1%. Apesar do crescimento, o indicador ainda ficou abaixo da meta de 50% prevista para 2024 no antigo Plano Nacional de Educação (PNE), que vigorou até dezembro de 2025, em todas as grandes regiões do país.
A pré-escola também registrou melhora. Em 2025, a taxa de atendimento de crianças de 4 e 5 anos chegou a 96,1%, o maior patamar do período de 2016 a 2025 e próximo da universalização. Mesmo assim, cerca de 4% das crianças nessa faixa etária ainda estavam fora da escola, o que corresponde a aproximadamente 219 mil crianças sem aulas.
As desigualdades, porém, continuam marcantes. Entre as crianças de 0 a 3 anos fora da escola por dificuldade de acesso, o percentual era de 14,2% entre brancas e amarelas, e de 19,6% entre pretas, pardas e indígenas. Na análise por renda, 24,2% das crianças entre os 20% mais pobres não acessavam a escola por alguma dificuldade, ante 6,4% entre os 20% mais ricos.
A diferença também aparece no território. Entre os estados, Santa Catarina tinha a maior cobertura em creches, com 58,4% das crianças de 0 a 3 anos atendidas, enquanto os menores índices estavam na Região Norte, com destaque para o Amapá, onde o percentual era de 9,4%. A diferença entre o maior e o menor acesso entre as unidades da federação chegou a 49 pontos percentuais.
Entre os motivos apontados para a não frequência à creche, predominou a decisão dos pais ou responsáveis: 64,1% entre crianças de 0 a 1 ano e 57,1% entre as de 2 a 3 anos. O segundo motivo mais citado foi a falta de escola ou creche na localidade, a ausência de vaga ou a não aceitação da matrícula por causa da idade da criança.
Em entrevista à Agência Brasil, Natália Fregonesi, coordenadora de Políticas Educacionais do Todos Pela Educação, avaliou que a expansão das creches é um avanço importante, mas defendeu mais planejamento, financiamento adequado e gestão da oferta de vagas. Ela também destacou a necessidade de apoio técnico e financeiro da União a estados e municípios para enfrentar as desigualdades de acesso.
O novo PNE ampliou a meta de educação infantil para o decênio 2024-2034, prevendo atendimento mínimo de 60% das crianças de 3 anos. Já o Ministério da Educação instituiu, há um ano, o Compromisso Nacional pela Qualidade e Equidade na Educação Infantil (Conaquei), com ações voltadas à expansão de vagas e à permanência de bebês e crianças na escola.