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Manaus vive explosão de Covid um ano após colapso

A doença voltou a impactar a capital do Amazonas e rapidamente lota unidades de pronto atendimento

Por FolhaPress 13/01/2022 10h23
Foto: Divulgação

Rosiene Carvalho
Manaus, AM

Manaus registra nova explosão de casos de Covid, com tendência de continuidade da aceleração de infecções, na semana em que completa um ano do drama causado pelo colapso do sistema de saúde e das mortes de doentes por asfixia em hospitais.

A doença voltou a impactar a capital do Amazonas e rapidamente lota unidades de pronto atendimento. A terceira onda chega em meio a relatos de esgotamento mental e físico por parte dos profissionais da saúde, além de afastamentos por reinfecção.

O número de novos casos confirmados com exames saltou de 37, em 1º de janeiro, para 1.659 nesta quarta-feira (13), um aumento de mais de 4.300%. No dia anterior, o Amazonas registrou 1.219 casos novos, marca que não alcançava desde 31 de março de 2021, quando o estado ainda vivia sob o efeito da segunda onda, de acordo com dados da FVS (Fundação de Vigilância em Saúde).

Nesta quarta, farmácias e postos de saúde que oferecem testes para Covid ficaram lotados o dia todo. As portas das unidades de urgência e emergência, há cerca de uma semana, repetem o cenário de aumento da procura. As duas situações provocam aglomeração em ambientes fechados e riscos de infecção de quem não está com o coronavírus.

Governo e prefeitura suspenderam licenças e férias do setor da saúde e a SES (Secretaria de Estado de Saúde) se prepara para reativar leitos.

Os números de óbitos e a de ocupação de leitos clínicos e de UTIs, no entanto, não sofreram, neste momento, pressão como a do ano passado –no primeiro trimestre de 2021, foram 6.600 mortes no Amazonas, um dos índices per capita mais altos do mundo.

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No pico do ano passado, redes pública e privada chegaram a ter 753 leitos de UTIs e 1.977 leitos clínicos ocupados, com uma fila de espera de mais de 500 pacientes. Esses números foram registrados no dia 31 de janeiro, quando já estava em funcionamento o plano de transferência de pacientes para outros estados por causa do colapso do sistema e da falta de oxigênio.

Os dados atuais apontam para 35 leitos de UTI e 96 leitos clínicos ocupados com pacientes com Covid, em hospitais públicos e privados. Jessen Orellana, epidemiologista da Fiocruz Amazonas, pondera que é preciso observar o aumento diário médio de ocupação de leitos por Covid-19 nos últimos 14 dias: a subida foi de 76% em leitos clínicos e de 60% em UTI. “Medidas urgentes e mais agressivas são necessárias. Logo aumentarão as mortes evitáveis”, diz.

Para a enfermeira Glenda Nascimento de Freitas, diretora da UPA (Unidade de Pronto Atendimento) José Rodrigues, na zona norte de Manaus, a vacina “segura” o agravamento em relação ao que ocorreu com a variante gama no ano passado, mas não evita por completo nova pressão do sistema nem a sobrecarga para os profissionais. O período chuvoso também é marcado pelo aumento de outros vírus e a SES registra casos de coinfecção de Covid e da influenza H3N2.

“A vacinação dá muita resposta. Mas não temos todas que queríamos. Diminuiu a gravidade, mas há um impacto de muita lotação de doentes. Temos tido condições de atender e mandar para casa. Ontem [dia 11], fizemos 202 testes, 138 positivos. As infecções sobem numa cadeia exponencial. Estamos muito temerosos”, afirma.

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A diretora da UPA diz que a condição é melhor do que em 2021: a tem um tanque com a capacidade dobrada de oxigênio e mais equipamentos. “Tem até mais profissionais. Mas tem o peso dos dois anos, que não foram fáceis. Tem o medo, a insegurança. Como gestora fico muito preocupada. A equipe não estava preparada para uma nova onda.”

Freitas conta que nesta semana três enfermeiros e um funcionário da limpeza tiveram de se afastar.

A presidente do Sindicato dos Enfermeiros e Técnicos de Enfermagem, Graciete Mouzinho, afirma que muitos profissionais adoeceram nos últimos dias, mas não há dados.

A Secretaria Municipal de Saúde afirma que entre 1º de dezembro de 2021 e 7 de janeiro de 2022, 278 funcionários da saúde precisaram se afastar por “infecções do trato respiratório”.

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Num serviço de pronto atendimento da zona centro-sul de Manaus, uma funcionária que pediu para não ser identificada disse que voluntários tiveram de assumir o raio-X em razão do afastamento do operador, infectado com Covid.

A presidente do sindicato reclama que muitos profissionais pegaram Covid na primeira e segunda ondas e permaneceram na linha de frente com sequelas.

“Estão sequelados. Apresentando trombose, que é uma doença grave e não têm recurso para fazer tratamento. Nem isso os governantes pensaram: uma equipe para cuidar desses profissionais, para eles se recuperarem e voltarem para linha de frente.”

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Procurado, o governo estadual do Amazonas não respondeu até a publicação desta edição.

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