Brasil

Mais de 4 milhões tiveram sintomas de Covid-19 em maio, diz IBGE

O IBGE considerou os seguintes conjuntos de sintomas: perda de cheiro ou de sabor; tosse, febre e dificuldade para respirar; tosse, febre e dor no peito

Diego Garcia e Nicola Pamplona
Rio de Janeiro, RJ

Em meio ao avanço da Covid-19 no Brasil no mês de maio, mais de quatro milhões de brasileiros apresentaram sintomas conjugados associados ao novo coronavírus, informou nesta quarta-feira (24) o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), em sua divulgação da Pnad Covid-19.

O IBGE considerou os seguintes conjuntos de sintomas: perda de cheiro ou de sabor; tosse, febre e dificuldade para respirar; tosse, febre e dor no peito. Segundo o instituto, são sintomas que vão de acordo com estudos da área de saúde e que podem ser associados à Covid-19.

De acordo com o diretor adjunto de pesquisas do IBGE Cimar Azeredo, os sintomas considerados são aqueles relacionados à síndrome gripal. Ele acrescentou que, na próxima pesquisa, serão inseridos outros sintomas, como a diarreia.

Para chegar ao resultado, os pesquisadores do IBGE perguntaram aos moradores dos domicílios abordados se, na semana anterior à entrevista, algum deles apresentara algum dos seguintes sintomas: febre, tosse, dor de garganta, dificuldade de respirar, dor de cabeça, dor no peito, náusea, nariz entupido ou escorrendo, fadiga, dor nos olhos, perda de cheiro ou de sabor e dor muscular.

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O indicador do IBGE partiu de uma pesquisa recomendada pelo CDC (Centro de Controle de Doenças), além de experiências internacionais e consultas a especialistas do Inca (Instituto Nacional do Câncer), do Ministério da Saúde, da Fiocruz e da escola de enfermagem da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais).

O primeiro caso conhecido de Covid-19 no país ocorreu em 25 de fevereiro. Nesta terça (23), quase quatro meses depois, o Brasil registrou 1.364 novas mortes pela Covid-19 e 40.131 novos casos da doença. No total, são 52.771 mortes pelo novo coronavírus e 1.151.479 casos de infecção pelo Sars-CoV-2.

Essa é a primeira edição de uma pesquisa extraordinária realizada pelo IBGE, chamada de Pnad Covid-19, para medir os efeitos da doença sobre a população e sobre o mercado de trabalho.

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A pesquisa vem sendo feita pelo IBGE em parceria com o Ministério da Saúde e mobilizou 2.000 agentes, que procuraram 193,6 mil domicílios em 3.364 cidades em todo o país.

De acordo com a divulgação, em maio, cerca de 24 milhões de pessoas (11,4% da população) apontaram ter algum dos sintomas de síndrome gripal. Desses, 3,8 milhões apontaram perda de cheiro ou sabor, enquanto 1 milhão indicou tosse, febre e dificuldade para respirar e outras 991 mil indicaram tosse, febre e dor no peito.

Segundo Maria Lúcia Vieira, gerente da pesquisa, a região do país que mais sentiu os sintomas da Covid-19 foi o Norte, com 7,8% da população apresentando alguns dos sintomas conjugados.

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De fato, o novo coronavírus vem sendo mais letal no Norte do que nas outras regiões do país, especialmente o Sul, parte menos afetada pela pandemia no Brasil. Enquanto na primeira região 45,5 a cada 100 mil habitantes já morreram pela Covid-19, na segunda esse número está em 3,4 até agora.

Entre os dois extremos vêm Nordeste, Sudeste e Centro-Oeste, com taxas que variam de 27,8 a 5,9 respectivamente.

As taxas de mortalidade são semelhantes às apresentadas pelo IBGE nos sintomas conjugados. Depois do Norte, a maior proporção é no Nordeste, região em que essa taxa ficou em 2,7%, enquanto o Sudeste apresentou 1,2%, o Sul registrou 0,6% e o Centro-Oeste marcou 0,4%.

A maioria dos entrevistados que apresentaram sintomas conjugados foram mulheres (57,4%). Já a maior parte da população tinha entre 30 e 59 anos (55,2%). Faixa etária considerada do grupo de risco, 11,1% das pessoas com 60 anos ou mais confessaram um quadro de síndrome gripal.

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Entre os brasileiros que apresentaram sintomas conjugados, 1,3 milhão de pessoas procuraram atendimento em estabelecimento de saúde, a maioria (78,2%), em locais públicos, como postos de saúde, equipes de saúde da família, UPAs, pronto-socorros ou hospitais do SUS.

Já 61 mil precisaram ficar internados e 22 mil tiveram que ser sedados, intubados ou colocados em respiração artificial.

As informações são da FolhaPress

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