O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou em mensagem enviada hoje ao Congresso que o país entrou em um “ciclo durável” de desenvolvimento econômico e social, que permitiu tirar da pobreza 20 milhões de pessoas.
A mensagem de Lula foi lida pelo deputado federal Rafael Guerra (PSDB-MG) na sessão inaugural das atividades legislativas de 2010, após o recesso que se prolongou desde meados de dezembro passado.
Nas palavras de Lula, o Governo observou um “êxito” na hora de enfrentar a crise financeira global, como demonstra o fato de que o Brasil tenha sido “um dos países menos afetados” pelas turbulências suscitadas em 2008.
Lula sustentou que, enquanto os países mais desenvolvidos entravam em recessão e perdiam empregos, o Brasil “continuou gerando empregos e renda e continuou reduzindo o abismo social”.
Em seu último ano no Governo, pois deixará o cargo em 1º de janeiro de 2011 ao vencedor das eleições de outubro de 2010, Lula disse que o Brasil terá indicadores macroeconômicos “saudáveis”, com a inflação “controlada” e as contas públicas “equilibradas”.
Além disso, ressaltou que o país contava em 31 de dezembro passado com reservas internacionais de US$ 239 bilhões, que representam um forte escudo perante qualquer nova turbulência.
Lula avaliou especialmente a gestão de seu Governo no âmbito social e assegurou que suas políticas públicas permitiram que desde 2003, quando assumiu a Presidência do país, 20 milhões de pessoas saíram da pobreza.
Em sua mensagem, o presidente citou diversos programas, como o Bolsa-Família, que beneficia quase 12 milhões de famílias de baixa renda. Ele acrescentou que iniciativas desse tipo permitiram que “os benefícios do desenvolvimento fossem distribuídos entre toda a sociedade”.
Também destacou o potencial energético que o Brasil conseguiu com a descoberta de enormes reservas de petróleo em águas do Oceano Atlântico e a forte aposta do Governo em projetos que possam diversificar a matriz energética no país.
Em relação à política externa, destacou que o Brasil “esteve presente em todos os fóruns internacionais” nos quais se buscaram alternativas para enfrentar a crise global, “desde as Nações Unidas até o Grupo dos 20”. Lula reiterou a opinião de que é preciso impedir o aumento do “protecionismo” no comércio mundial.
Em sua única menção à América Latina, afirmou que durante 2009, seu Governo “continuou trabalhando pela integração do Mercosul e da América do Sul como um todo”. Além disso, o presidente disse que ampliou o apoio ao Haiti, sobretudo após o devastador terremoto de 12 de janeiro passado.
Além disso, citou entre os “sucessos” alcançados no ano passado pelo Governo a escolha do Rio de Janeiro como sede dos Jogos Olímpicos de 2016, que fará do Brasil “a primeira nação da América do Sul” a organizar o maior evento esportivo mundial.