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Lula diz que tinha que evitar o que Walesa fez na Polônia

Por Arquivo Geral 09/11/2009 12h00

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirma que teve que evitar o que Lech Walesa fez na Polônia, porque, caso contrário, “não voltariam nunca a escolher um trabalhador como presidente”.

Em declarações publicadas hoje pelo jornal britânico “Financial Times”, Lula afirma também que “em nenhum momento da história brasileira o setor privado foi tratado com tanto respeito pelo Estado como hoje, ou que tenha feito tanto dinheiro”.

Em resposta ao que o jornal britânico qualifica de “pressões” sobre a Vale para que ajuste seus planos de investimento à política do Governo, Lula diz que pede à empresa “que transforme o minério de ferro em aço no próprio Brasil e compre navios nos estaleiros brasileiros”.

“Sou contra que o Estado se transforme em gerente da economia. O Estado tem que ser forte, mas só como catalisador do desenvolvimento”, afirma o presidente, segundo o qual a política fiscal e monetária de seu Governo foi o que tornou possível que o setor bancário não desabasse na crise.

“Os pobres da África e de todo o mundo vão sofrer as consequências desta crise, que eles não causaram. Os países ricos dizem que não podem se permitir financiar os meios contra a pobreza nos países pobres, mas encontraram bilhões para resgatar seus bancos”, critica Lula.

Lula explica, assim, a diversificação dos contatos do Brasil com outros Governos, como o de Hugo Chávez na Venezuela ou de Mahmoud Ahmadinejad no Irã, que não são do agrado de Washington.

“Acredito na coabitação dentro da diversidade”, disse.

O presidente lembra que o líder americano Richard Nixon fez da China, em sua época, “um parceiro comercial preferencial”.

“Temos excelentes relações com a Colômbia e o Peru, assim como com Venezuela e Bolívia. Não se pode encurralar ninguém”, afirma.

O presidente brasileiro evitou a tentação, escreve o “Financial Times”, de se candidatar a um terceiro mandato consecutivo, o que teria exigido modificar a Constituição.

Lula diz que nunca lhe passou pela cabeça a ideia de se transformar em outro “caudilho”.

“Tinha inclusive medo de me apresentar a um segundo mandato ao lembrar o que aconteceu com Fernando Henrique Cardoso”, diz o jornal.

Diante das eleições do próximo ano, Lula se dispõe a consolidar seu legado político com Dilma Rousseff, uma tecnocrata sem o carisma de Lula que terá que impedir a desagregação de uma ampla e difícil aliança de partidos.

“A coalizão vai aguentar e a estamos reforçando. Temos uma candidata muito boa. Se eleger Dilma, minha principal contribuição será permitir que crie seu próprio estilo”, explica.








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