O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou hoje de um “ato em defesa da represa de Belo Monte”, hidroelétrica que será erguida em plena Amazônia apesar da resistência de povos indígenas, ecologistas e movimentos sociais.
O ato foi realizado em um estádio de Altamira (PA), nos arredores de onde será construída a represa, que deve ser a terceira maior do mundo, atrás apenas de Itaipu e da chinesa Três Gargantas.
Lula reiterou que essa hidroelétrica garantirá ao Brasil a energia necessária para dar continuidade a processo de industrialização e manter um elevado ritmo de crescimento econômico.
Também insistiu que foram adotadas as devidas precauções para minimizar o impacto sobre o ecossistema, além de medidas para cuidar das 12 mil pessoas que, calcula-se, serão deslocadas pelas obras, que devem inundar uma área de 506 quilômetros quadrados.
No meio de seu discurso, Lula enfrentou os protestos de um grupo de jovens que se opõem à represa e lembrou que ele mesmo, há mais de 30 anos, era contra a construção de Itaipu.
“Nessa época, diziam que não podíamos construir Itaipu porque ia inundar a Argentina, que chegou a ameaçar o Brasil com a construção da bomba atômica” para impedir as obras, declarou.
“Por falta de informação, também se dizia que Itaipu ia causar mudanças em todo o clima da região e até que ia afetar o eixo de rotação da terra, e nada disso aconteceu”, disse Lula, que pediu aos jovens que não se deixem “enganar” por “fantasias” que atribuiu a “pessoas bem intencionadas, mas equivocadas”.
A represa de Belo Monte terá um custo de US$ 10,6, gerará em média 4.571 megawatts por hora e alcançará um teto de 11.233 megawatts nas épocas de cheia do rio Xingu, um dos principais afluentes do Amazonas.
Além disso, serão investidos R$ 1,5 bilhão para mitigar o impacto socioambiental, e outros R$ 2 bilhões em projetos para o desenvolvimento sustentado do rio Xingu.
Lula assegurou também que o Governo preparou planos para a industrialização da área, a fim de aproveitar as grandes reservas de minerais que existem na região amazônica, embora tenha esclarecido que isso será realizado com projetos de “sustentabilidade ambiental”.
“A hidroelétrica vai gerar industrialização e empregos e, em vez de exportar minério de ferro, passaremos a exportar produtos com alto valor agregado”, previu.
Nos arredores do estádio, grupos de agricultores, indígenas, ecologistas e diversos movimentos sociais que se opõem ao projeto também se manifestaram contra as intenções do Governo.
Esses grupos ganharam visibilidade internacional há alguns meses, quando o cineasta canadense John Cameron, diretor de “Avatar” (2009), além de membros do elenco do filme de mais bilheteira da história se uniram em Brasília aos protestos contra a obra.