O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que votou contra as sanções ao Irã aprovadas hoje no Conselho de Segurança das Nações Unidas, afirmou que a nova pena foi imposta pelos “que acreditam na força” e não no diálogo.
Lula afirmou que o Conselho de Segurança da ONU “perdeu uma oportunidade histórica”, que também poderia ter servido para “discutir o desarmamento dos que têm armas atômicas”.
Lembrou que o acordo que o Brasil e a Turquia conseguiram com o Irã no dia 17 de maio para a troca de urânio pouco enriquecido por combustível nuclear tinha gerado um terreno propício para retomar o diálogo, que foi ignorado pelas grandes potências.
A Declaração de Teerã, fruto desse acordo, “dava a eles uma oportunidade para negociar. Aqueles que aprovaram as sanções, provaram que, na realidade, não queriam negociar”, disse o presidente.
Segundo Lula, a aprovação das sanções “debilita o Conselho de Segurança da ONU”, que o Brasil propõe “reformar há 17 anos, porque já não representa mais a realidade política do mundo”.
Lula reiterou que “a geografia econômica e política do mundo mudou” e que a ONU deve “dar mais representatividade à América Latina, à África, à Ásia e a outros países que não estão” no Conselho.
A nova rodada de sanções contra o Irã foi aprovada hoje com o voto propício de 12 países, a rejeição do Brasil e da Turquia e a abstenção do Líbano.
Assim como Lula, o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, lamentou a decisão, que considerou “apressada”.
“Depois do acordo houve pressa em aprovar a resolução”, disse Amorim.
O chanceler questionou “por que essa pressa?”, e sustentou que ela se deve a “uma opinião crescente na comunidade internacional, que via cada vez mais méritos na Declaração de Teerã” e podia obstaculizar as sanções.
Na opinião de Amorim, o fato do pedido formal para que o Conselho de Segurança discuta as sanções ter sido entregue pelos Estados Unidos no dia seguinte ao anúncio do acordo na capital iraniana “não deu tempo para nada”.
O ministro disse que “nem sequer houve tempo para discutir eventuais modificações ao acordo” nem foi dada ao Irã “a oportunidade de dizer posso mudar isso ou aquilo”.
Reiterou, além disso, que o único interesse do Brasil ao mediar o conflito era “buscar uma solução negociada” e impedir sanções, que “repercutirão nas camadas mais pobres” da sociedade iraniana.
Amorim, que escutou duras críticas dos deputados de oposição pela atuação do Governo no conflito, também reiterou hoje que o Brasil, como integrante da ONU e membro não-permanente do Conselho de Segurança, acatará as sanções impostas, apesar de não compartilhar da decisão.