As latinas que falam pouco inglês e moram nos Estados Unidos têm menos probabilidades de obterem uma cirurgia para a reconstrução das mamas após uma mastectomia, segundo um estudo do Centro Integral do Câncer da Universidade de Michigan, publicado hoje.
O estudo comparou os índices de cirurgias de reconstrução de mama entre mulheres brancas, negras, latinas mais adaptadas à cultura americana e latinas menos integradas.
De acordo com os dados da Sociedade Americana do Câncer, este ano, 194.280 mulheres nos EUA terão diagnóstico de câncer de mama e 40.610 morrerão em decorrência da doença.
As pesquisadoras analisaram os casos de 806 mulheres que receberam tratamento ao câncer de mama em Detroit e em Los Angeles.
De acordo com o estudo, 41% das mulheres brancas e a mesma porcentagem das latinas altamente integradas na cultura tinham obtido a cirurgia de reconstrução, enquanto somente 34% das negras e 14% das latinas menos integradas passaram pela operação.
“Temos bons dados que mostram que a reconstrução depois da mastectomia melhora a qualidade da vida”, disse a autora principal do estudo, Amy Alderman, professora na Escola de Medicina da UM.
“Esta é uma parte do corpo que afeta a auto-estima, a imagem corporal, a sexualidade e os papéis sociais das mulheres. Nem todas as mulheres necessitam escolher a reconstrução, não é o adequado para todas. Mas todas as mulheres deveriam ter a opção”, acrescentou.
As autoras do estudo descobriram que as taxas mais baixas de reconstrução não estão relacionadas com a falta de interesse.
De fato, mais da metade das latinas menos integradas nos EUA disse querer ter mais informação sobre a reconstrução de mamas.
“A reconstrução é importante para estas mulheres, mas uma proporção significativamente maior de latinas menos adaptadas não soube como obtê-la”, acrescentou Amy.
“Isto sugere que há necessidades significativas e não atendidas neste grupo vulnerável. Querem fazer a reconstrução, mas ninguém fala disso”, disse.
De acordo com o estudo, o índice de reconstrução de mamas está vinculado com a satisfação das pacientes com sua cirurgia de mastectomia.
As taxas de satisfação mais altas ocorreram entre as mulheres brancas que tiveram a reconstrução. Do total, 94% declararam sua satisfação com o tratamento recebido.
As mais baixas (56%) foram entre as latinas menos integradas, que não fizeram a reconstrução da mama.