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Brasil

Justiça paralisa análise de maior operação da PF sobre tráfico de drogas

O magistrado justificou a decisão pela necessidade de aguardar o recebimento de provas e documentos que estão sob a responsabilidade de investigadores franceses e que já foram solicitados por meio de cooperação jurídica internacional

Redação Jornal de Brasília

04/11/2026 21h58

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Polícia Federal

São Paulo, 4 – O juiz federal Guilherme Roman Borges, da 13 ª Vara Federal de Curitiba, suspendeu as audiências e o julgamento da Operação Mafiusi, previstos para novembro. A investigação, conduzida pela Polícia Federal em cooperação com investigadores europeus, apura um esquema de tráfico internacional de cocaína e lavagem de dinheiro operado pelo Primeiro Comando da Capital (PCC) e pela máfia ‘Ndrangheta.

O magistrado justificou a decisão pela necessidade de aguardar o recebimento de provas e documentos que estão sob a responsabilidade de investigadores franceses e que já foram solicitados por meio de cooperação jurídica internacional. “A realização das oitivas de testemunhas e dos interrogatórios dos acusados antes do aporte do material probatório requisitado à França acarretará inevitável renovação dos atos probatórios (reoitiva de testemunhas e novos interrogatórios) por todas as defesas técnicas. Ademais, a alteração na sequência da colheita probatória traz o risco de suscitar discussões sobre a inversão da ordem legal de instrução (art. 400 do Código de Processo Penal), gerando arguições de nulidade absoluta e insegurança jurídica ao processo”, anotou o juiz federal na decisão.

Segundo a PF, a organização criminosa foi responsável pelo envio de 6 toneladas de cocaína à Europa, distribuídas em 20 carregamentos, e pela movimentação de R$ 4,8 bilhões. O caso envolve 9 investigados na Itália e 11 no Brasil. As apurações foram desenvolvidas em cooperação entre a Polícia Federal e autoridades italianas.

A Operação Mafiusi tramita na mesma vara que concentrou processos da Operação Lava Jato, investigação que revelou um esquema de corrupção, pagamento de propinas e formação de cartel em diretorias estratégicas da Petrobras, envolvendo empreiteiros, operadores financeiros e políticos. Assim como ocorreu na Lava Jato, a Operação Mafiusi foi turbinada por delações premiadas, sendo a principal delas do colaborador Marco José de Oliveira. Seus relatos, segundo a PF, são decisivos para identificar e barrar canais de movimentação de recursos.

ORIGEM

A Mafiusi teve início em investigações sobre o tráfico de drogas pelo Porto de Paranaguá, no Paraná. Nas apurações, investigadores identificaram uma rede de crimes transnacionais sustentada por uma aliança entre o PCC, a Máfia dos Bálcãs e a ‘Ndrangheta, organização criminosa originária da Calábria, no sul da Itália. Segundo a Polícia Federal, os grupos teriam unido suas estruturas para viabilizar o envio de toneladas de cocaína para a Europa.

PRISÕES

A decisão do juiz foi celebrada pelas defesas dos réus. Um deles, Willian Barile Agati, o “Concierge do PCC”, preso na Penitenciária Federal de Brasília, poderá ser beneficiado pela determinação, segundo seu advogado, o criminalista Eduardo Maurício. Além de cancelar as audiências, o magistrado determinou que a necessidade de manutenção das prisões preventivas seja reavaliada individualmente, em procedimentos separados do processo principal.

Estadão Conteúdo 

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