Elas não chegaram nem nos 20 anos, mas já integram os elencos dos dois melhores times de vôlei brasileiro e devem começar a quarta partida da final da Superliga feminina como titulares. Jogadora do Osasco, a ponteira Natália acabou de atingir a maioridade. Já Thaisa, do Rexona, é um ano mais velha.
A atleta do time paulista nem deixou de ser juvenil e já é a segunda maior pontuadora da competição, com apenas 14 pontos menos que a consagrada Paula Pequeno. “Esperava estar bem assim quando eu tivesse uns 22 anos, aconteceu mais cedo e eu fiquei bastante surpresa em ser a segunda maior pontuadora da Superliga”, admitiu a jogadora, com boa dose de modéstia.
Ela atribui o bom desempenho na competição às suas colegas de equipe. “Todas as meninas aqui sempre me deram muita força durante os treinos e jogos. Atletas como a Paula Pequeno, Arlene e Valeskinha sempre me passam a experiência que possuem, de terem rodado o mundo com a seleção brasileira”, elogia, acrescentando “bastante treinamento” à lista de ingredientes para o sucesso.
Ao menos por enquanto, ela, que faz a sua primeira final de Superliga, não sonha em ser convocada por José Roberto Guimarães para uma competição da seleção brasileira adulta. “Eu treinei com elas no ano passado, mas fui cortada. Agora, tenho o Mundial juvenil na Tailândia. Só vou esperar uma nova convocação mais tarde mesmo”, assegura.
Mesmo com a pouca idade, Thaisa já tem no currículo o título de campeã da última Superliga, além da confiança do exigente técnico Bernardinho, que desde o ano passado a promoveu como titular do Rexona. Nesta temporada, é a oitava maior pontuadora da disputa, além de possuir o quarto melhor bloqueio.
Uma das características da atleta é o perfeccionismo, como pode ser visto em suas declarações. “Desde o ano passado eu cresci bastante, amadureci muito. Estou conseguindo ver mais o jogo, chegar mais inteira nos bloqueios. A cada temporada, a gente evolui um pouquinho, mas nunca é o bastante. Sempre tem algo para a gente buscar”, discursa.
De acordo com ela, esta perseverança está muito clara na atuação que o Rexona pretende fazer neste sábado. “Sabemos dos nossos erros, o que pode melhorar e estamos trabalhando em cima disso. Se a bola não estiver boa, temos que dar um jeito de colocar do outro lado e fazê-las jogarem. Estamos pecando nisso: quando a bola não vem tão boa, a gente vai, dá no meio do bloqueio e não tem como voltar. Toma o toco. Mas se errarmos menos, o nosso desempenho vai melhorar muito”, analisa.
E, mesmo sem a pressão de decidir a final, as duas garantem que, se necessário, vão chamar a responsabilidade para si. “Elas falam que não, mas com certeza tenho que fazer isso. Vou tentar fazer o meu melhor, virar todas as bolas e passar bem”, opinou Natália, sem se importar com a sua falta de experiência.
Jogadora mais alta da história do país, Thaisa, de 1,96m, é ainda mais incisiva. “Elas sempre estão dando uma força, mas tenho muita responsabilidade também só pelo fato de estar jogando aqui. Tem que ter cobrança de fora e da gente mesmo. Senão, vou atacar para fora toda hora e achar que está tudo bem”, comentou a jogadora. “Sou titular desde o ano passado, então tenho uma cobrança maior”, justificou.