TULIO KRUSE
FOLHAPRESS
Alvo de um ataque a tiros no último sábado (27), o tenente Ronickson Pimentel dos Santos era investigado em dois inquéritos por mortes em intervenções policiais da Rota (Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar), tropa de elite da Polícia Militar de São Paulo da qual ele era integrante.
O caso mais recente é de janeiro deste ano, em uma ocorrência que começou com uma apreensão de armas e drogas em Itaquaquecetuba e terminou com um suspeito morto em Suzano, na região metropolitana de São Paulo.
Ele e outros três PMs contaram que, após a apreensão, foram levados por um suspeito até uma casa em Suzano onde estaria outro homem envolvido no esquema de tráfico de drogas. Eles narraram que foram recebidos a tiros ao chegar no local e que revidaram, provocando a morte de João Francisco Silva de Souza, 28.
Tanto Pimentel quanto outro policial, o cabo Edson Valério, disseram ter atirado em Souza para se defender. Em dois imóveis em Itaquaquecetuba, foram apreendidos duas armas, munições, três coletes à prova de balas, maconha e cocaína, segundo o boletim de ocorrência.
No endereço em Suzano, foi apreendida uma pistola calibre 9mm e 166 tijolos de maconha, também de acordo com o registro da ocorrência. Uma mulher de 22 anos estava na casa com Souza, em Suzano, e afirmou em depoimento que apenas ouviu os disparos, mas não viu a dinâmica da ocorrência.
Pimentel também se envolveu em um caso de morte por intervenção policial há um ano em Sante André na região do ABC Paulista. O inquérito iniciado em julho de 2025 segue aberto.
Desde 2020, o tenente já foi investigado em ao menos nove casos de morte em ações policiais, apontam registros da Justiça comum e militar em São Paulo. Sete desses casos foram arquivados sem oferecimento de denúncia, após o Ministério Público entender que não havia prova de crime cometido por ele e outros PMs.
A reportagem não encontrou processos por suspeita de homicídio anteriores a 2020. Pimentel é policial militar desde 2009 e ingressou na Rota, batalhão que mais mata na PM paulista, em 2019.
O CASO
Ronickson Pimentel dos Santos, 1º tenente da PM, foi baleado na cabeça na manhã deste sábado (27). Ele estava na avenida Goiás, em São Caetano do Sul, na região metropolitana de São Paulo, quando foi alvo de disparos.
O policial estava à paisana, em uma motocicleta, parado em um semáforo, quando dois homens em outra moto se aproximaram e atiraram. Ele foi atingido na cabeça. Equipes de resgate prestaram os primeiros socorros e ele foi transportado pelo helicóptero Águia.
Segundo a Rota, o tenente foi levado ao Hospital Mário Covas, em Santo André, no qual passou por um procedimento cirúrgico para remoção do projétil.
A Justiça de São Paulo decretou neste domingo (28) a prisão temporária de dois homens, de 40 e 52 anos, sob suspeita de envolvimento na tentativa de homicídio contra o policial. Um terceiro homem, de 24 anos, esteve no departamento acompanhando o pai, um dos detidos, mas não foi preso.
A identidade deles não foi divulgada e, com isso, a reportagem não conseguiu identificar os responsáveis pela defesa. A prisão é temporária por 30 dias e os homens devem passar por audiência de custódia nesta segunda-feira (29).
Segundo as investigações, há indícios de que os suspeitos tenham ligação com os homens que perseguiram e atiraram no policial militar.
Pimentel tem quadro considerado extremamente grave. Por volta de 13h desta segunda-feira (29), a PM afirmou que uma tomografia realizada no período da manhã indicou melhora do edema cerebral.
Ele é irmão de Eloá Cristina Pimentel, 15, foi morta a tiros em 2008 após ser mantida refém pelo namorado, Lindemberg Alves, 22, por mais de cem horas no apartamento em que ela morava com a família, em Santo André, na Grande São Paulo.
Irmão de Eloá, tenente da Rota alvo de ataque é investigado por duas mortes na Grande SP
Desde 2020, o tenente já foi investigado em ao menos nove casos de morte em ações policiais, apontam registros da Justiça comum e militar em São Paulo
Foto: Reprodução