Cerca de 200 membros de uma ONG de proteção ao Encontro das Águas fizeram na tarde de hoje uma manifestação com faixas e cartazes em frente ao prédio da Justiça Federal, em protesto à ação que anulou o tombamento do fenômeno que forma o rio Amazonas. “Só o presidente da República pode decretar e derrubar um tombamento, aí vem um juiz tupiniquim desavisado e tenta passar por cima da lei”, reclamou em um megafone em frente ao prédio da Justiça Federal um dos líderes do movimento, o sociólogo Ademir Ramos. O juiz não recebeu os manifestantes.
Em Brasília, o poeta Thiago de Mello e o empresário Tenório Teles, tiveram um encontro com membros do Conselho Jurídico do Instituto do Patrimônio Histórico Nacional (Iphan), que afirmaram, segundo Mello, que a homologação do tombamento, que foi determinado em novembro do ano passado, deve ser divulgada em breve. “Eles também disseram que devem se pronunciar para referendar o fato de que só o presidente da República é quem pode voltar atrás em um tombamento do Iphan”, contou o poeta. No fim da tarde de hoje, os dois deveriam ser recebidos pela ministra da Cultura, Ana de Hollanda.
Os manifestantes são contra a construção de portos na área delimitada de dez quilômetros quadrados no entorno do Encontro das Águas. Com base em estudos feitos por biólogos da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), os manifestantes afirmam que portos no local iriam prejudicar o meio ambiente e impedir a desova de peixes.
O Porto das Lajes, de propriedade da Log In Logística (empresa ligada à Vale e à Coca-Cola), começou a ser construído no ano passado a menos de cinco quilômetros do Encontro das Águas. A obra foi embargada e estava à espera do aval do órgão ambiental do Amazonas e do Iphan para recomeçar. Há dois dias, a licença ambiental foi concedida, mas o Iphan ainda não respondeu.