Menu
Brasil

Gordura encolhe o cérebro

Arquivo Geral

14/01/2011 9h20

Mais uma notícia muito ruim para as pessoas que estão muito acima do peso: além de modificar a estrutura do corpo, a obesidade também pode causar alterações na anatomia do cérebro. A constatação é científica, divulgada nos Estados Unidos.

 

Ela é resultado de uma pesquisa da University School of Medicine, de Nova York, que usou imagens de ressonância magnética para comparar o cérebro de 44 obesos com o de 19 pessoas magras. É com esse tipo de exame que os cientistas vêm mapeando o mais importante dos órgãos humanos há algum tempo.

 

Os pesquisadores descobriram agora que os obesos tinham maior quantidade de água na região da amígdala e redução no tamanho do córtex orbitofrontal do cérebro.

 

Essas regiões estão envolvidas em mecanismos de recompensa e também no controle dos impulsos. Segundo o autor da pesquisa, os achados podem indicar a presença de menos neurônios ou de neurônios em tamanho reduzido.

 

Há uma relação estatística entre sobrepeso e incidência de diabetes tipo 2, que já se mostrou ser um fator de risco de alterações cognitivas – em síntese, todo o processo que envolve o conhecimento, a memória e o raciocínio.

 

Tratamento agressivo

Segundo Ricardo Cohen, presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica, os resultados da pesquisa mostram que problemas como a obesidade e o diabetes devem ser “tratados agressivamente”. “São doenças crônicas. Quanto antes forem tratadas, melhor”, afirma. Cohen estima que a prevalência de sobrepeso e obesidade no Brasil gire em torno de 35% da população.

 

Rubens Gagliardi, vice-presidente da Academia Brasileira de Neurologia, afirma que o fato de a obesidade interferir em áreas cerebrais ligadas ao impulsos não necessariamente explica o seu caráter vicioso. “Muitas pessoas com essa compulsão tem a parte cognitiva em perfeitas condições. Isso (o encolhimento do córtex) é consequência, e não causa”, diz o neurologista.

 

Nove em cada 10 americanos acham que se alimentam de forma sadia, embora dois terços da população não consuma em quantidade suficiente frutas e verduras, num país campeão do mundo em obesidade, segundo pesquisa divulgada neste mês. De acordo com o levantamento da revista Consumer Reports, que ouviu 1,234 mil adultos, 52,6% disseram que sua alimentação é “sadia”; 31,5%, “muito” boa; e 5,6%, “extremamente” sadia.

    Você também pode gostar

    Assine nossa newsletter e
    mantenha-se bem informado