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Frequentadores da cracolândia de SP voltam para rua Helvétia

Na praça Júlio Mesquita e na esquina da rua do Triunfo com a rua dos Gusmões, grupos de quatro ou cinco pessoas chegaram a se instalar

Por FolhaPress 20/05/2022 7h36
Foto: Rovena rosa/Agência Brasil

Matheus Moreira e Paulo Eduardo Dias
São Paulo, SP

Após a polícia realizar uma operação no novo ponto da cracolândia no centro paulistano, dependentes químicos voltaram a se aglomerar na rua Helvétia, próximo à avenida São João, e no entorno do 77º DP (Santa Cecília).

A ação policial foi deflagrada no fim da tarde desta quinta-feira (19) na rua Doutor Frederico Steidel, entre as avenidas São João e Duque de Caxias, causando correria e tumulto no local. Usuários se espalharam pelas ruas da região em grupos menores.

Ao todo, 11 pessoas acabaram presas.

Mais tarde, por volta das 22h40 desta quinta, pequenos grupos oriundos do fluxo se espalharam por diversos pontos da região central, embora a maior parte permanecesse concentrada na Helvétia, entre a alameda Barão de Campinas e avenida São João.

Do outro lado da São João, o serviço de limpeza da prefeitura recolhia lixo e pertences deixados na rua Doutor Frederico Steidel. Outros grupos, menores, foram vistos caminhando na direção do Terminal Amaral Gurgel.

Na praça Júlio Mesquita e na esquina da rua do Triunfo com a rua dos Gusmões, grupos de quatro ou cinco pessoas chegaram a se instalar apenas por alguns minutos.

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Na manhã desta sexta (20), por volta das 11h, ao que tudo indica o fluxo –termo usado para identificar a concentração de usuários de droga– se firmara na rua Helvétia, no mesmo trecho em que estavam no dia anterior, entre a avenida São João e a alameda Barão de Campinas.

Na rua Helvétia, há um portão que dá para o terreno que fica nos fundos do 77º DP da Santa Cecília. No local funciona agora uma tenda do Siat (Serviço Integrado de Acolhida Terapêutica) emergencial, instalada pela prefeitura na última terça (17).

A reportagem esteve no local na manhã desta sexta (2) e poucas pessoas buscavam atendimento. Às vezes, ficavam na tenda apenas as equipes de acolhimento.

O delegado Severino Pereira de Vasconcelos, do 77º DP, disse à reportagem que a estimativa é de que o fluxo seja composto de cerca de mil pessoas. A aglomeração cresce aos finais de semana, segundo ele, devido à chegada de dependentes vindos das periferias da cidade em busca de crack.

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Questionado sobre a possibilidade de a instalação da tenda perto da delegacia intimidar aqueles que querem ser acolhidos e receber tratamento, Vasconcelos afirmou que este é um cenário que não pode ser descartado. Porém, a seu ver, os dependentes sabem que “a polícia não vai mexer com eles e que os alvos são os traficantes”.

O delegado disse que, embora não exista uma separação por muro ou grades entre a delegacia e o terreno onde fica o Siat, nenhum policial tem autorização para ir até a tenda. “Só vamos até lá se formos chamados pelas equipes da assistência social.”

O secretário-executivo de Projetos Estratégicos da prefeitura, Alexis Vargas, disse à reportagem que, devido à instalação recente da tenda, ainda não tem um balanço do número de pessoas atendidas ali.
Vargas acrescentou a tenda fica aberta ininterruptamente para acolhimento, distribuição de cobertores, uso dos banheiros químicos (há dois no local) e uso das torneiras com água potável instaladas no terreno. Às 18h, é servida uma refeição.

Segundo ele, o objetivo é fazer deste Siat emergencial um novo Siat fixo e que as contratações para viabilizar o novo serviço de acolhimento estão em andamento. O secretário-executivo não soube dizer, porém, a previsão para que esse processo seja concluído.

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