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Força-tarefa que investiga a Prevent Senior recebeu 12 denúncias de uso de ‘kit Covid’

Os promotores contam que já ouviram seis parentes de doentes que morreram em março de 2020 após terem sido atendidos

Por FolhaPress 08/10/2021 9h42

MARIANA ZYLBERKAN
SÃO PAULO, SP

A força-tarefa criada pelo Ministério Público de São Paulo para investigar a conduta da operadora de saúde Prevent Senior durante a pandemia de Covid-19 anunciou nesta sexta-feira (8) que recebeu 12 denúncias de pacientes para os quais o chamado kit Covid foi receitado. Além disso, os promotores contam que já ouviram seis parentes de doentes que morreram em março de 2020 após terem sido atendidos em unidades da rede ou via telemedicina.

As vítimas fizeram parte de um estudo não autorizado conduzido pela Prevent Senior com 636 pessoas que testaram positivo para o coronavírus. Como parte da pesquisa, elas receberam indicação para tomar medicamentos como a hidroxicloroquina.

De acordo com o promotor Everton Luís Zanella, que comanda a força-tarefa, pacientes da Prevent Senior foram obrigados a assinar um termo de responsabilidade ao receber os medicamentos do kit Covid. “Os médicos falavam que o kit ia salvar a vida dos pacientes”, diz.

O estudo está no centro de um dossiê entregue à CPI da Covid do Senado, que tem compartilhado documentos com a força-tarefa. A Prevent Senior também enviou uma defesa preliminar com documentos que a embasam, dizem os promotores.

“Estamos apurando se o uso desse kit pode ter levado à morte de pacientes”, afirma Zanella. O grupo também vai investigar acusações de adulterações em atestados de óbito para ocultar a infecção por Covid, além de possíveis crimes contra a saúde pública por suposta sonegação de casos de notificação obrigatória.

Zanella diz que os dois inquéritos abertos pela Polícia Civil para apurar os casos vão ser investigados pela mesma equipe policial. “Fizemos um acordo para que pacientes e parentes de pacientes sejam ouvidos exclusivamente pelo Ministério Público”, explica.

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Em defesa contra as denúncias, a Prevent Senior alega que documentos em poder da CPI da Covid “foram visualmente manipulados e utilizados fora de contexto” com o intuito de colocar a empresa no foco da comissão parlamentar de inquérito do Senado e de outros órgãos de investigação.

Em 20 de setembro, a operadora fez um pedido à PGR (Procuradoria Geral da República) para que sejam apuradas as responsabilidades quanto aos documentos em questão. “Há considerável possibilidade de que as ações praticadas pelos denunciantes se amoldem em tipos penais previstos no ordenamento brasileiro”, escreveram os advogados da companhia na solicitação.








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