Rayssa Tomaz, do Clicabrasilia
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Quase 25 milhões de brasileiros possuem alguma necessidade especial. Esse número corresponde a 15% da população do país, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Apenas no Distrito Federal, existem hoje, aproximadamente, 276 mil pessoas que necessitam de cuidados especiais.
Por esse motivo, Brasília foi o cenário da 1ª Feira de Tecnologia Assistiva e Inclusão Social das Pessoas com Deficiência do Distrito Federal, que aconteceu na última semana. Foram apresentadas ao público diversas inovações em equipamentos com o objetivo de facilitar a vida de portadores de necessidades especiais. Apesar da tecnologia demonstrada, o preço dos produtos ainda é uma barreira a ser enfrentada pelos consumidores.
Da ficção para a realidade
Se antes alguns itens só existiam em filmes que retratavam situações fictícias, como os óculos mouse ou a cadeiras eletrônicas controladas a sopro, atualmente, essas ferramentas já são uma realidade que facilita a vida de pessoas com deficiência. O mercado da tecnologia assistiva, que consistem em aparelhos e sistemas que visam facilitar e melhorar a qualidade de vida de pessoas com deficiência, tem um público alvo que necessita de produtos cada vez mais personalizados. Produtores e pesquisadores começam a despertar para esse mecado que oferece grande diversidade de áreas a serem exploradas.
Para se ter uma ideia das inovações, existe hoje no mercado uma cadeira de rodas motorizada, projetada para dar maior mobilidade e independência às pessoas com tetraplegia – paralisia que afeta todas as quatro extremidades, superiores e inferiores, juntamente à musculatura do tronco – movida através do sopro e sucção.
A cadeira, que custa R$ 18 mil, chegou ao Brasil no último mês e foi comprada apenas por três pessoas. Alex Peres, proprietário da empresa fabricante e, ele próprio, cadeirante, afirma que a importação da tecnologia é o grande vilão dos preços.”O produto vem do exterior e não existe isenção de impostos ou estímulos grandes do governo para eu conseguir um preço melhor pro cliente”, critica.
Preço é maior inimigo
Além da cadeira, a evolução da tecnologia pode ser notada em uma interminável lista de objetos como talheres adaptados, cadeiras elétricas, livros e revistas digitais. Entretanto, conforme ressaltou o empresário, alguns recursos não são acessíveis por conta dos altos valores cobrados pelas tecnologias oriundas do exterior. A feira – que aconteceu no Centro de Convenções Brasília XXI – contou com a participação de 32 empresas que produzem ou revendem aparatos revolucionários para o segmento.
A maioria dos equipamentos expostos se encontram apenas nas feiras e amostragens de catálogos já que os revendedores reclamam dos encargos e taxas cobradas nos equipamentos. “Cada componente dessa cadeira é importado e não existe ainda a aplicação efetiva dessas tecnologias no Brasil. Isso transforma necessidades em luxo”, reitera o empresário Alex.
Além dos altos valores, não existe isenção fiscal para produtos que promovam acessibilidade, o que também dificulta a ampliação do mercado. “Eu nunca fui isento de pagar alguns impostos ao governo para poder repassar meus materiais com melhor preço para pessoas que necessitam”, reclama Alex.
A falta de investimentos na produção de pesquisa local é um dos obstáculos enfrentados pelo setor. Para o presidente do Instituto Muito Especial, organizadora da Feira em parceria com o Ministério da Ciência e Tecnologia, Marcus Scarpa, o investimento e a atenção do governo são de suma importância para a aplicação efetiva dessas tecnologias no país. “O objetivo da feira é discutir as inovações e aplicabilidades da tecnologia assistiva, valorizando as pesquisas que visam incluir pessoas com deficiência na sociedade. A feira vem pra estimular parcerias e mostrar o que há de mais novo no que diz respeito à acessibilidade”, explica Scarpa.
Leia mais na edição desta segunda-feira (15) do Jornal de Brasília.
Veja vídeos:
Cadeira movida por sopro e sucção
Cadeira vertical