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Brasil

Ex-porteiro muda depoimento e acusa filha de ex-ministro

Arquivo Geral

24/11/2010 18h54

A sucessão de trapalhadas da polícia de Brasília para esclarecer o assassinato do ex-ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) José Guilherme Villela, morto em agosto de 2009 com 73 facadas junto com a mulher e a empregada, teve hoje mais um capítulo. O ex-porteiro do prédio, Leonardo Campos Alves, que já havia confessado o crime junto com o sobrinho, Paulo Cardoso Santana, deu uma nova versão.

Ele disse em depoimento ao delegado Luiz Julião Ribeiro, diretor da Coordenadoria de Crimes contra a Vida (Corvida), o quinto dirigente a entrar no caso, que o crime foi encomendado pela arquiteta Adriana Villela, filha do casal. Disse também que não participou diretamente da execução – apenas deu apoio logístico aos assassinos – e deu o nome de um terceiro criminoso, Francisco Naérlio, de 22 anos, preso hoje.

Para o promotor Maurício Miranda, a nova versão reforça a tese, da qual está convencido, de que Adriana teve envolvimento direto na execução dos pais. “Ela tinha relação conflituosa com os pais por disputa de dinheiro e a perícia encontrou digitais dela no apartamento datadas do dia do crime”, explicou. Adriana nega e seus advogados pediram o afastamento da Corvida das investigações por falta de isenção nas investigações, segundo explicou o advogado Rodrigo Alencastro.

Até agora a polícia deu quatro versões diferentes para o crime, prendeu dez suspeitos – depois soltos por falta de provas e trocou a investigação de mãos três vezes entre delegacias que se digladiam numa guerra interna de poder sem fim. Primeiro prendeu três pessoas na periferia de Brasília, em cuja casa foi encontrada uma chave dos fundos da casa dos Villela. Depois se descobriu que a chave era a mesma fotografada na casa da vítima e “plantada” para incriminar os rapazes, pobres e com passagem pela polícia.

Responsável pelas prisões, por sugestão de uma vidente, a delegada Martha Vargas, da 1ª DP, foi afastada do caso, que passou à responsabilidade da (Corvida), comandada por Mabel de Faria. Ela apontou Adriana como única autora do crime. A 8ª DP, comandada por Deborah Menezes, amiga de Martha, correu por fora e comprovou a participação de Leonardo, que confessou o crime. Mas a Justiça determinou o retorno das investigações à Corvida, que acredita agora ter fechado o esclarecimento do caso com três autores materiais e um mandante.

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