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Brasil

Especialistas advertem que bronzeamento artificial causa dependência

Arquivo Geral

25/04/2010 11h13

Além de favorecer o aparecimento de câncer de pele, o uso contínuo de câmaras de bronzeamento artificial pode causar dependência. A constatação é de um estudo norte-americano realizado com 229 pessoas que usavam o aparelho 23 vezes por ano, em média. Elas responderam a um questionário adaptado que avalia vício em álcool e maconha – 160 apresentaram critérios de dependência.
O teste incluiu, entre outras, perguntas sobre sentimento de culpa após o bronzeamento, dificuldade de reduzir ou planejar antecipadamente o tempo de exposição e perdas de compromissos pelo procedimento.
Os pesquisadores, que publicaram o artigo esta semana na Revista de Dermatologia (Archives of Dermatology), observaram ainda que, na maioria dos casos, problemas psiquiátricos como ansiedade e depressão estavam associados ao vício.

“Apesar de nossos esforços para alertar sobre os perigos para a saúde associados às radiações de raios UV, artificiais ou não, se observa um progressivo aumento do número de jovens adultos que recorrem ao bronzeamento artificial”, afirmam os autores da pesquisa. “Esta exposição repetida aos raios ultravioleta corresponde ao mesmo comportamento que o de dependentes de substâncias químicas”, explicam.
“Além do desejo de melhorar a pele, (essas pessoas) fazem bronzeamento para relaxar, melhorar o humor ou se socializar”, acrescentam os especialistas.

“O trabalho chama a atenção para a possibilidade de essas pessoas terem algo mais. O que leva esses pacientes a usar as câmaras em excesso deve ser investigado e não adianta simplesmente proibir o uso. É preciso entender os motivos e isso sai da esfera do dermatologista. Pode ser necessária a avaliação de um psiquiatra ou psicólogo”, diz o dermatologista Marcus Maia, da Faculdade de Medicina da Santa Casa de São Paulo.
Ainda não é possível apontar por quais mecanismos o usuário desenvolve a dependência, mas pessoas que se submetem às câmaras com frequência relatam forte sensação de bem-estar. “Sabe-se que há relaxamento e melhora de humor e socialização do indivíduo, mas nenhum trabalho mostrou de que maneira isso ocorre no cérebro”, acrescenta Maia.
polêmica
Em novembro de 2009, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) proibiu o uso das câmaras no Brasil, com base em estudos da Organização Mundial da Saúde (OMS), que relacionaram o procedimento ao maior risco de câncer de pele.
Desde então, liminares concedidas em todo o País liberaram a prática – a agência recorreu de todas elas. A última, de março deste ano, autorizou o uso por empresas paulistas associadas ao Sindicato de Profissionais das Áreas de Estética e Cosmetologia (Sindestética), que reúne 7.200 estabelecimentos.

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