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Em Areia, no interior da Paraíba, basta atravessar a rua para ir da sala de aula ao hotel. De um lado, o Senac oferece cursos de gastronomia, recepção e serviços de camareira. Do outro, o Sesc administra os 30 apartamentos do Bruxaxá, onde os alunos conhecem de perto o trabalho das equipes que recebem os hóspedes. Essa ligação entre os dois prédios explica como funciona o Hotel-Escola Sesc Senac Bruxaxá, inaugurado em outubro de 2025, depois que o governo estadual reformou o imóvel e o presidente Marconi Medeiros viabilizou a parceria.
Segundo a gerente-geral, Amanda Francine, as visitas permitem aos alunos acompanhar a rotina do hotel e aproximam a equipe de quem pode vir a integrá-la quando surgir uma vaga. Os funcionários têm trajetórias diferentes, mas todos os que trabalharam na abertura passaram por treinamento. Os cursos do Senac são abertos ao público, mediante inscrição, e há turmas gratuitas e pagas.

Formada em turismo em 2008, Amanda começou a carreira no Ouro Branco, que tinha unidades em João Pessoa e Campina Grande. No Bruxaxá, ela responde por uma equipe cuja cordialidade chama a atenção desde a chegada, do guarda que cuida dos carros no estacionamento ao chefe de cozinha. O restaurante serve pratos regionais com uma qualidade impecável. Os 30 apartamentos têm varanda, e a reforma também dotou o hotel de piscina aquecida e de um deque de madeira de onde se vê o pôr do sol na serra.
A cerca de 120 quilômetros de João Pessoa e 50 de Campina Grande, as duas maiores cidades do estado, Areia fica numa região serrana, a aproximadamente 600 metros de altitude. Nas noites mais frias do inverno, a temperatura pode cair abaixo dos 15 °C. Em julho de 2025, o termômetro da Praça Pedro Américo, no centro da cidade, marcou 14 °C. Segundo Amanda, o hotel recebe mais hóspedes nos fins de semana, e a procura cresce durante a Rota Cultural Caminhos do Frio.
Turismo no interior
No interior do Nordeste, parte do dinheiro que o visitante traz circula muito além da recepção de um hotel. Quem passa um fim de semana na região pode contratar um guia ou um motorista, almoçar num restaurante da cidade e comprar uma peça de um artesão. Para as famílias que vivem da agricultura, fornecer alimentos a pousadas e restaurantes ou receber visitantes na propriedade abre uma segunda fonte de renda. A formação em hotelaria amplia, sobretudo para os jovens, a possibilidade de encontrar trabalho perto de casa.

Em Areia, os engenhos dão um exemplo concreto dessa relação entre o campo e o turismo. Reconhecida por lei estadual, em 2021, como Capital Paraibana da Cachaça, a cidade tem propriedades que abrem as portas para mostrar como a cana se transforma em cachaça e rapadura. Na Rota dos Engenhos, o visitante pode conhecer o alambique e acompanhar etapas da produção. Para quem vive da cana, a visita acrescenta uma atividade à rotina da propriedade. Além de vender o que produz, o engenho recebe quem quer conhecer o ofício.
SERVIÇO
Telefone – 83 3241-4569