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Brasil

Eliminar estigma da AIDS é um dos desafios para lutar contra epidemia

Arquivo Geral

30/11/2007 0h00


Eliminar o estigma e a discriminação associados à AIDS e ampliar ao máximo o acesso à prevenção e aos tratamentos são passos-chave na luta contra a doença, find ressaltou a ONU por ocasião do Dia Mundial Contra a Aids, neste sábado.

“Ainda há um grave déficit de recursos contra a AIDS e o estigma e a discriminação em torno do HIV (o vírus causador da doença) ainda são grandes”, afirmou o diretor-executivo do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids, Peter Piot, em sua mensagem por ocasião da data.

Como conseqüência destes fatores, “os dois terços das pessoas que requerem tratamento anti-retroviral não podem ter acesso a ele, e menos de uma em cada dez com risco de infecção pelo HIV tem os meios para se proteger”, acrescentou.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, também insistiu hoje em que “um dos principais desafios é superar a estigmatização, pois este continua sendo o principal obstáculo enfrentado pelas iniciativas públicas e é uma das razões pelas quais a epidemia continua fazendo estragos no mundo todo”.

“Aplaudo os corajosos que vivem abertamente com o HIV, que defendem sem descanso os direitos dos soropositivos e que instruem outros em relação à aids”, afirmou Ban.

Segundo os dados do último relatório do Unaids, divulgado na semana passada, 2,5 milhões de pessoas contraíram o vírus em 2007, o que elevou o número de infectados no mundo a 33,2 milhões.

Mas o dado, que revela uma queda de 6 milhões de infectados em relação ao anunciado no ano anterior, não significa que a doença está perdendo força, mas se deve a que se revisou a forma como as autoridades faziam os cálculos, esclarece o relatório.

Alguns analistas, como Stephen Lewis, co-diretor da organização AIDS-Free World, asseguram que “os novos números estão muito mais próximos da realidade da pandemia”.

“Acredito até mesmo que sejam muito elevados e que será necessária outra revisão em baixa”, afirmou Lewis. A razão dos elevados números dos últimos anos seria que, para obter os dados gerais, estes saíam dos contágios detectados fundamentalmente em grupos de risco, como prostitutas e usuários de drogas.

Apesar da redução no número de infectados, a Organização Mundial da Saúde (OMS) advertiu que não se deve baixar a guarda, porque “há evidências, nos Estados Unidos e na Europa, que, se reduzir a atenção dada, a epidemia voltará a se expandir”. Para o diretor da Unaids, “a epidemia alcançou proporções mundiais porque se demorou muito em agir”.

Piot considera básico que os Estados-membros mantenham seu compromisso, lançado no ano passado, de trabalhar para que se amplie progressivamente o acesso universal à prevenção, ao tratamento e ao apoio em relação à AIDS.

“Mais de 2,5 milhões de pessoas nos países em desenvolvimento recebem atualmente fármacos anti-retrovirais que prolongam sua vida”, afirmou Piot.

O Fundo Mundial de Luta contra a Aids, a Tuberculose e a Malária, um organismo público e privado que financia iniciativas contra estas três doenças, anunciou hoje que mais de 1,4 milhão de soropositivos recebem tratamento com anti-retrovirais graças a seus programas.

O número representa um aumento de 88% em relação às 770 mil pessoas que recebiam tratamento no final de 2006, graças aos investimentos do fundo. Este organismo proporciona mais de 20% do financiamento internacional para a luta contra a AIDS.

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