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Educação de surdos: persistência é desafio após um 1 ano e meio da pandemia

Segundo a Codeplan, os deficientes auditivos (14,41%) estão em terceira categoria mais incidente entre a população

Foto: Arquivo pessoal

Lara Vitória e Marco Antônio Peres
(Jornal de Brasília / Agência de Notícias UniCEUB)

“Tive dificuldade de assistir a aula. Como eu sou deficiente auditivo, eu necessito ainda de intérprete”. A rotina de Saulo Moraes Eminergidio, 24 anos de idade, estudante de psicologia, que é surdo oralizado, trata de um desafio decorrente do dia a dia dos deficientes auditivos no isolamento. A pandemia de covid-19 criou mais obstáculos para pessoas com deficiência.  Manter a persistência é desafio após um ano e meio de pandemia.

Segundo dados da Companhia de Planejamento do DF, os deficientes auditivos (14,41%) estão em terceira categoria mais incidente entre a população que declara ter alguma deficiência (104.826), atingindo 50,53% das pessoas entre 30 e 64 anos com deficiência.

A faixa de 65 anos ou mais registra diferença de quase 30% (28,71%), em relação à de maior incidência. A faixa etária de 18 a 29 anos compõe 10,75% das pessoas com essa deficiência, enquanto as demais não atingem 4%, ressaltando que os indivíduos identificados na primeira infância (0 a 4 anos) representam apenas 0,85% desse grupo.


Saulo relata que as dificuldades de acessibilidade das plataformas são ainda desafiadoras.  “A antiga plataforma que usávamos inviabiliza múltiplas câmeras abertas, impossibilitando a intérprete na outra tela, o que obrigou o curso a se adaptar”.

Mesmo com a mudança de plataforma, os alunos tinham que desligar as câmeras e os microfones. “Quando o professor fala e o aluno interrompe, o intérprete tem dificuldade de acompanhar à aula”.

Tradução

As dificuldades com a educação e a adaptação interferem tanto como quem é aluno e necessita de uma ajuda especializada para acompanhar as aulas,tanto para como quem trabalha ministrando essas aulas e interpretando a linguagem nesse meio,um mesmo desafio ,visto por diferentes perspectivas.

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A técnica em tradução Brenda Barbosa Rodrigues, que atua com estudantes de ensino superior em Brasília com a interpretação em Língua Brasileira de Sinais (Libras), diz que a rotina de trabalho dela ficou muito diferente durante a pandemia.

Mais trabalho

“A carga horária aumentou bastante, pois pelo remoto perdemos a noção de horário que você atende o aluno, no começo da pandemia tinha hora de começar a trabalhar, mas era difícil saber a hora em que terminava”.

Brenda ainda pontua que falta esclarecimento sobre a profissão. “ Muitos acham que nosso trabalho consiste em simplesmente sentar ali em frente ao surdo e começar a interpretação, mais do que isso temos sempre que é possível é feito um estudo sobre o tema que será interpretado”, explica.

Mesmo com tanta dificuldade em seu trabalho, Brenda é otimista com as perspectivas  futuras sobre o ensino nesse formato. “Aprendemos que mesmo de longe podemos estar mais perto. A tecnologia nos proporciona mais liberdade na comunicação”, completa a tradutora que se adaptou ao modelo remoto de ensino, mesmo com tantas dificuldades em seu meio.

Tecnologia

A professora Daniela Prometi, que atua como professora de surdos e que também não ouve, indica que as tecnologias foram ampliadas para diminuir a evasão. “A principal dificuldade é buscar implementar os diferentes recursos tecnológicos que auxilie de fato na comunicação e interação dos discentes surdos.”

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Daniela acrescenta que foram necessárias adaptações especiais para alunos com deficiência auditiva e visual. “Foi preciso adaptar a tecnologia acessível, usando o fundo preto ou azul, e a iluminação do ambiente, foi preciso contar com a presença de um guia-intérprete para auxiliar nas aulas remotas.”.

Fotos: Arquivo pessoal da tradutora








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