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Dose de reforço contra a covid-19 evita infecções graves e sobrecarga nos hospitais

As duas doses das vacinas disponíveis continuam reduzindo o risco de casos graves da doença, mas há perda de uma parte da proteção

Foto: Michael Dantas/AFP

A dose de reforço da vacina contra a covid-19 já está disponível para todos os adultos brasileiros que tenham tomado a segunda dose há quatro meses. No Brasil, 30,6 milhões de pessoas tomaram a terceira dose, o que representa menos de 15% da população. Especialistas avaliam que a dose adicional é importante para reduzir o risco de hospitalizações e mortes e para diminuir a transmissibilidade do vírus, evitando a sobrecarga dos sistemas de saúde.

Pesquisas sobre o impacto da variante Ômicron, altamente transmissível, indicam que as duas doses das vacinas disponíveis continuam reduzindo o risco de casos graves da doença, mas há perda de uma parte da proteção. Ou seja: até mesmo vacinados se infectam, mas costumam ter sintomas menos graves e transmitem a doença. Uma dose adicional aumenta os níveis de anticorpos e reduz a chance de adoecer e de contágio.

Diante da Ômicron, a dose de reforço é considerada uma das três estratégias cruciais para reduzir casos graves da covid-19, diz Renato Kfouri, diretor da Sociedade Brasileira de Imunizações. “Aumentar o número de vacinados, completar os esquemas de vacinados e reforçar as doses de quem perdeu a proteção parecem ser o tripé necessário para conter o aumento de formas graves nessa explosão de casos.” Na terça-feira, o Brasil registrou 73,6 mil novos casos de covid-19 em apenas 24 horas – o maior número diário desde setembro.

Dados apresentados pelo secretário municipal de Saúde do Rio, Daniel Soranz, mostram que a taxa de internação de idosos por covid-19 na rede pública da capital é 24 vezes maior entre não vacinados na comparação com idosos que receberam a terceira dose. A taxa de internação de idosos com o reforço é de 8,6 por 100 mil e de 31,41 por 100 mil entre idosos com as duas doses. Já o índice de internação de idosos não vacinados é de 204,88 por 100 mil.

Na comparação apenas entre idosos vacinados com duas doses e aqueles que já receberam a terceira, a proteção contra internações também aumenta no grupo que recebeu o reforço. Já na população de 12 a 59 anos, a taxa de internação também é bem menor entre os receberam o reforço, na comparação com não vacinados (20 vezes menor) e com aqueles que receberam as duas doses (6 vezes menor).

Os Estados Unidos orientam a vacinação com o reforço até mesmo para adolescentes. Segundo o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) americano, a eficácia das vacinas na prevenção de infecções ou doenças graves diminui com o tempo, especialmente em pessoas com 65 anos ou mais. O surgimento da variante Omicron reforça ainda mais a importância da estratégia de reforço, segundo o CDC.

Para o infectologista Julio Croda, pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), a dose de reforço tem ainda outro papel: o de reduzir a transmissibilidade do vírus e os casos leves. “Nos locais de baixa cobertura com a terceira dose, esperamos um índice um pouco maior de hospitalizações e óbitos comparado com locais com elevada cobertura de terceira dose. Mas o impacto (da terceira dose) é muito maior na transmissão, (para reduzir) formas leves.”

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Postos de saúde já sofrem os impactos do grande número de infectados pela covid-19 nos últimos dias. As filas para testes são longas e o atendimento demora horas. A alta de casos de síndromes gripais nos últimos dias também tem levado ao afastamento de suas funções milhares de profissionais de saúde infectados pela covid-19 ou pela influenza em várias regiões do País. Consequentemente, as equipes na linha de frente estão sobrecarregadas.

“Teremos maior impacto nas emergências e unidades básicas de saúde. Com isso, deixa-se de atender outras patologias, acompanhar outros tipos de pacientes”, diz Croda. Para o especialista, não há justificativa para que as pessoas que já podem tomar a terceira dose deixem de procurar os postos de saúde.

Estadão conteúdo

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