A qualidade e a engenharia dos edifícios e outras construções japonesas foram fundamentais para evitar mais consequências pelo terremoto, segundo disseram à Agência Efe vários especialistas, que destacaram o “triunfo de uma cultura preventiva”.
A pesquisadora do Conselho Superior de Pesquisas Científicas (CSIC) da Espanha, María Dolores Gómez, destacou à Efe a preparação e a conscientização do Japão quanto à prevenção de catástrofes desta natureza.
Apesar do terremoto de 8,9 graus na escala Richter – segundo dados do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS, na sigla em inglês) – ter causado inúmeras mortes e danos materiais, teria sido “um completo desastre” caso tivesse ocorrido em outro país, opinou.
Segundo detalhou a especialista, desde que sofreu um terremoto devastador nos anos 1920, o Japão está “bastante conscientizado” e conta com normas com as quais projeta edifícios e pontes mais resistentes a tremores.
“Eles vivem essa cultura há 90 anos, o que não ocorre em outros países”, reforçou María Dolores.
A opinião é compartilhada por Ramón Álvarez, professor do mestrado em Engenharia Sísmica da Universidade Politécnica de Madri, que relatou que a maioria das edificações japonesas conseguiu suportar os efeitos do terremoto porque são “muito bem” construídas, com alto controle de qualidade.
“Falamos de construções modernas, onde a diferença é dada pela qualidade com a qual se constrói”, avaliou o especialista, que lembrou que o Japão é um país rico, o que configura a diferença fundamental entre este país e outros onde os efeitos das catástrofes naturais foram devastadores, como o Haiti.
No Japão se usam os mesmos materiais que outros países desenvolvidos utilizam para edificação – concreto armado e aço -, mas é na qualidade da construção que residem as distinções, explicou o professor à Efe.