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Brasil

Chuvas causam tragédia na Região Serrana do Rio de Janeiro

Arquivo Geral

13/01/2011 17h14

As fortes chuvas dos últimos três dias no Rio de Janeiro, que deixaram pelo menos 381 mortos, provocaram a maior tragédia na história da Região Serrana.

Os deslizamentos de terra não fizeram distinção entre casas de pobres e ricos construídas nos pés das montanhas de uma região com vários atrativos turísticos, como rios, cachoeiras e uma vegetação típica da Mata Atlântica.

Por sua difícil geografia, muitas casas das cidades de Nova Friburgo, Teresópolis e Petrópolis foram construídas em áreas consideradas de risco, apesar das advertências das autoridades.

O secretário de Assistência Social e Direitos Humanos do Governo do Rio de Janeiro, Rodrigo Neves, afirmou nesta quinta-feira que, para evitar novas tragédias, será necessário remover cerca de cinco mil famílias desses municípios que vivem em imóveis ameaçados por deslizamentos.

O governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, garantiu que a ocupação irregular foi a responsável pela “tragédia anunciada”.

O aumento da ocupação e da população acontece porque centenas de habitantes do Rio de Janeiro procuram a região para fugir do calor, tal como fez o imperador D Pedro II há um século.

Além do clima mais agradável, locais turísticos e uma natureza privilegiada, o êxodo rumo à Região Serrana também foi provocado pelo crescimento da indústria têxtil no local, ao ponto de as cidades aparecerem entre as maiores produtoras nacionais de roupa íntima.

A pureza da água que brota das montanhas também atraiu algumas cervejarias, que montaram fábricas na região para aproveitar o recurso.

A tranquilidade da região atraiu, inclusive, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF), que montou na cidade de Teresópolis o moderno campo de treinamentos conhecido como Granja Comary.

A desordenada e rápida ocupação mostrou sua vulnerabilidade após um temporal que, em 24 horas, inundou a Região Serrana com mais água que o esperado para todo o mês de janeiro.

Bairros inteiros foram soterrados por toneladas de terra e lama que deslizaram das montanhas e destruíram várias casas, inclusive em condomínios de luxo.

A cidade mais afetada até agora é Nova Friburgo, com cerca de 173.321 habitantes e localizada a 137 quilômetros do Rio de Janeiro, onde foram resgatados 168 corpos.

Foi através de Nova Friburgo que começou a ocupação da região depois que, em maio de 1818, o rei D. João VI anunciou o decreto que permitiu o estabelecimento de uma colônia suíça no Brasil.

Como a maioria dos imigrantes suíços que iniciou a ocupação procedia do cantão de Friburgo, a primeira vila foi batizada como Nova Friburgo. Além dos suíços, também chegaram na região imigrantes alemães e, em menor número, italianos, espanhóis, portugueses, libaneses e japoneses.

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