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Brasil

Cespe apresenta ferramenta inédita de avaliação de estudantes

Arquivo Geral

06/08/2009 0h00

Depois de seis meses de pesquisas e testes, o Cespe apresenta ferramenta inédita para avaliação acadêmica de 124 mil alunos matriculados em 530 escolas estaduais amazonenses. O novo indicador nasceu de contrato firmado entre a UnB e o governo do Amazonas que, no final do ano passado, procurou ajuda da universidade para analisar o nível de aprendizado das crianças do estado.


“Quando assumimos o governo, quase todos professores eram leigos. Quase ninguém tinha curso superior. Os alunos não sabiam matemática nem português. O amazonense estava condenado à ignorância”, conta o governador Eduardo Braga (PMDB). “Agora, graças a UnB, conhecemos nossos problemas, estabelecemos metas e podemos melhorar.”


O Sistema de Avaliação do Desempenho Educacional do Amazonas(SADEAM) mede o desempenho de crianças e jovens nas duas séries finais do ensino fundamental e no terceiro ano do ensino médio. A avaliação inclui provas de português e matemática, além de questões sobre o espaço físico da escola e a gestão administrativa e pedagógica de cada colégio.


“É um indicador diferente daquele que o MEC produz através do Prova Brasil. É mais completo”, explicou o governador na segunda-feira, 3 de agosto, durante seminário organizado para apresentar os dados do levantamento do Cespe. O encontro termina na sexta-feira. O vice-reitor da UnB, João Batista de Sousa, e o diretor do Cespe, Joaquim José Soares Neto, participaram da solenidade de abertura, no auditório da Universidade Federal do Amazonas.


Na ocasião, mais de 700 professores dos mais longínquos municípios enfrentaram calor de 38 C° para receber os boletins com as notas de cada escola e aluno avaliado. “Estou muito emocionada. Nos esforçamos muito para alcançar um  bom resultado”, explica Elza da Silva Cardoso, diretora da Escola Estadual São Pedro, na cidade de Maués, colégio que obteve o maior SADEAM do estado, 5,8 no quinto ano do ensino fundamental. A pontuação variava de 0 a 10. “Conseguiremos melhorar”, aposta a diretora.


Os números oferecem uma detalhada radiografia da educação no principal estado da região amazônica, mostram as carências do ensino na área e apontam caminhos de superação. A média regional alcançada ainda é baixa nos três níveis avaliados: 3,5 para os alunos do quinto ano, 2,9 para os do nono ano e 2,2 no ensino médio. As maiores carências estão na área interior e na área rural do estado.


“O Amazonas está de parabéns pela iniciativa e pelo pioneirismo. O Cespe usou metodologias de países desenvolvidos para diagnosticar a educação amazonense. Agora é preciso estudar os resultados para aproveitar os exemplos positivos e melhorar os negativos”, explicou Joaquim José Soares Neto, diretor do Cespe e professor do Instituto de Física da UnB.


“Estou muito feliz. Entramos numa nova fase do Cespe e esse estudo reflete isso. Estamos cumprindo nossa função de pesquisadores. Desenvolvemos um levantamento de alto nível e entregamos o resultado para a sociedade. Essa é a função da universidade”, completou o professor Neto.


O entusiasmo dos professores amazonenses com o novo indicador contagiou também o médico e vice-reitor, João Batista de Sousa. “A universidade fica muito feliz em poder colaborar com a Amazonas”, disse. “A educação é o primeiro passo para mudar nosso país.”

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