O cerco aos traficantes que vêm gerando pânico no Rio de Janeiro foi reforçado nesta sexta-feira com 800 soldados do Exército brasileiro.
Os militares, que em sua maioria integraram as Forças de Paz da ONU em Porto Príncipe (Haiti), deslocaram-se nesta sexta-feira para as áreas de acesso a favelas do Rio de Janeiro, onde estão escondidos os traficantes que desde o fim de semana promovem ataques na Região Metropolitana.
Nossa missão é fazer a segurança das favelas da Vila Cruzeiro e do Complexo do Alemão e já deslocamos as tropas para esses locais, disse em entrevista coletiva o general Adriano Pereira Júnior, que coordenará o apoio dos militares às operações da Polícia.
Ele acrescentou que sua missão é a de conceder segurança à população.
“Estamos com armas, que serão usadas se necessário”, ressaltou.
A Vila Cruzeiro foi ocupada nesta quinta-feira pela Polícia em uma operação que contou com o apoio de seis tanques blindadas da Marinha.
Pelo menos 200 traficantes que estavam nesta favela fugiram para o Complexo do Alemão.
Após a operação, o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, pediu mais apoio das Forças Armadas e foi rapidamente atendido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Além dos 800 membros de um batalhão de paraquedistas do Exército, o Ministério da Defesa autorizou o uso de dez tanques blindados e de três helicópteros da Força Aérea Brasileira nas operações.
Nosso único objetivo é apoiar as operações da Polícia. “E esse apoio será dado dentro das necessidades que forem decorrentes das operações que vão surgir ao longo das ações da polícia fluminense”, afirmou o ministro da Defesa, Nelson Jobim.
O ministro acrescentou que os militares estarão subordinados à secretaria de Segurança Pública do Rio, que comandará as operações de 21 mil policiais contra os traficantes.
“Há áreas muito definidas de função, então não se tem que entrar em discussões sobre comandos da operação”, acrescentou Jobim, quem admitiu que a possível ajuda militar ao combate à criminalidade no Rio fracassou em algumas ocasiões anteriores devido a divergências em relação ao comando das ações.
“É uma polícia de segurança pública fundamentada, articulada, que permitirá à população a paz e a tranquilidade que ela esperava. Por isso, a dimensão histórica desse momento. Tenho certeza de que estamos virando uma página muito importante da história do Rio de Janeiro”, destacou Cabral.
O secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, ressaltou que o reforço militar permitirá que os policiais possam atuar diretamente nas operações, mas não revelou se o Complexo do Alemão receberá uma operação como a da Vila Cruzeiro.
A situação no Rio de Janeiro está mais tranquila nesta sexta-feira, após os fortes combates dos dois últimos dias que deixaram mais de 20 mortos.
Segundo o último boletim da Polícia Militar, a ofensiva policial deixou 25 traficantes mortos e mais de 192 presos.
Na maioria dos ataques, os traficantes bloquearam importantes vias da cidade e incendiaram veículos.
As autoridades do Rio de Janeiro atribuíram os ataques a uma represália dos grupos criminosos que foram expulsos pela Polícia das favelas para a instalação das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs).