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Carros de som com mensagem antivacina são apreendidos em Novo Hamburgo (RS)

Com uma gravação de 44 segundos, os carros percorreram bairros do município de 247 mil habitantes se dirigindo aos pais

Por FolhaPress 28/01/2022 9h42
Foto: Agência Brasil

Fernanda Canofre
Porto Alegue, RS

Denúncias de moradores da cidade de Novo Hamburgo (RS), a 44 km de Porto Alegre, levaram a Guarda Municipal a apreender dois carros de som na última quarta-feira (26). Os veículos circulavam questionando a vacinação infantil contra Covid.

Com uma gravação de 44 segundos, os carros percorreram bairros do município de 247 mil habitantes se dirigindo aos pais.

“Atenção, pais. Nós todos temos o dever de saber que não é obrigatória a vacina experimental em nossos filhos; que, por lei, as escolas não podem exigir, muito menos impedir o acesso de nossos filhos às salas de aula por não terem feito a vacina; que os fabricantes não garantem a eficácia e não se responsabilizam pelos efeitos colaterais tendo em vista que muitos tiveram problemas pós-vacina. A escolha é sua, pai. Se eles não se responsabilizam, é você o responsável”, dizia a locutora.

A prefeitura classificou a mensagem como fake news e disse que apresentaria uma notícia-crime ao Ministério Público estadual -a Promotoria instaurou procedimento investigatório e pediu mais informações sobre o episódio.

“Lamentável que a gente tenha que passar por isso em pleno século 21. Não bastassem as fake news em redes sociais, agora nós temos fake news em carros de som”, diz o prefeito em exercício, Márcio Lüders (MDB).

“Agimos rápido para corrigir. Desde quinta de manhã, fizemos o caminho inverso e temos um carro de som do município passando pelos mesmos bairros para divulgar a vacinação, os telefones e postos de saúde”.

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Três pessoas foram conduzidas à delegacia, mas usaram o direito de permanecer em silêncio. Os dois veículos foram guinchados.

“Estou avaliando o conteúdo da gravação e a situação. Ouvimos o responsável nesta sexta (28). Ainda não podemos afirmar que há crime envolvido”, afirma o delegado do caso, Rafael Sauthier.

No mesmo dia da apreensão, o empresário Elácio Hugendobler apareceu em um vídeo publicado pelo deputado bolsonarista Bibo Nunes (PSL-RS), se identificando como o responsável pela mensagem.

À reportagem, ele contou que a ideia era fazer uma “boa ação” e esclarecer pais que estão em dúvida em meio a publicações em redes sociais. O empresário diz que escreveu o texto e mostrou a um advogado.

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“O que foi divulgado? O esclarecimento, para tirar dúvidas, para as pessoas poderem fazer a escolha melhor. Não tem comprovação, o fabricante não se responsabiliza, então, a escolha é sua. Só isso. As pessoas não estavam sabendo para que lado ir”, diz ele.

Ele discorda da avaliação da prefeitura de que a mensagem é fake news.

“Fake news seria se eu disse ‘a vacina é comprovada, já está comprovada no mundo todo que é eficaz, que ela previne Covid ou cura as pessoas da Covid’.”

A bula do imunizante da Pfizer, uma das vacinas aprovadas no Brasil para o público infantil, disponível no site da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), lista as possíveis reações adversas e recomenda que um médico seja consultado em certos casos.

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Em nota à reportagem, a farmacêutica diz que “dentro de suas atribuições, não pode orientar sobre a conduta a ser tomada para tratar um paciente específico ou para contornar um possível evento adverso”, cabendo ao médico e profissionais de saúde fazê-lo.

Fabricante da Coronavac, também autorizada para crianças no país, o Instituto Butantan disponibilizou em seu site um dossiê com pesquisas e ensaios sobre a efetividade e segurança da vacina.

O objetivo da vacina é diminuir a gravidade da infecção. Para evitar o contágio, é preciso manter medidas como distanciamento social, uso correto de máscaras e higienização das mãos.

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Eleitor do presidente Jair Bolsonaro (PL), o empresário conta que trabalhou com a coleta de assinaturas para criação do partido Aliança pelo Brasil. “Enquanto o presidente estiver fazendo um bom trabalho, eu vou apoiar”, diz.

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A infectologista Melissa Palmieri explica que, embora a mensagem acerte ao afirmar que a vacina contra Covid-19 não é obrigatória nem exigida em escolas, erra em outros pontos.

A vacina não é experimental, já que teve sua eficácia e segurança demonstradas, o que respaldou a aprovação por agências regulatórias como a Anvisa, pontua ela, que também é médica especialista em vigilância em saúde e diretora da Sociedade Brasileira de Imunizações – Regional São Paulo.

“Hoje temos uma situação de mundo real, ou seja, a implementação dessas vacinas em outros países, em números já de mais de 10 milhões de doses aplicadas, mostrando a eficácia em crianças e adolescentes vacinados, reduzindo a gravidade [internações e mortes por Covid]”, explica.

Ela ressalta que o SUS (Sistema Único de Saúde) está preparado para atender eventuais reações adversas, mas que já é observado que, mesmo as mais comuns em adultos, como dor no braço ou de cabeça, aparecem em menor magnitude em crianças.

“Quem opta pela doença tem, no mínimo, quatro vezes mais chances -há estudos que colocam até 12 vezes- de desenvolver efeitos inflamatórios, como a miocardite, pela infecção pelo vírus. O pai que opta por isso está utilizando errado a balança entre risco e benefício. O benefício de se vacinar suplanta o risco de ter uma reação adversa”, defende ela.








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