Sinônimo de alegria, festa e despreocupação, aparentemente o carnaval não tem muita relação com a medicina. Mas este ano a Imperatriz Leopoldinense quer superar essa distância, ao contar no sambódromo carioca a evolução da arte de salvar vidas, desde o misticismo inicial até o mapeamento do DNA, passando por diversas civilizações. “Fácil não foi. A medicina tem uma história muito grande para ser contada em apenas um desfile. Mas acho que vamos fazer um belo espetáculo”, conta o diretor de carnaval da escola, Wagner Araújo. A escola entrou na avenida por volta das 22h30.
Após o oitavo lugar no ano passado, a escola está lutando para voltar aos bons tempos – a Imperatriz já venceu o carnaval do Rio oito vezes; o último título foi em 2001. No último mês antes do desfile, a agremiação realizou três ensaios por semana. Este ano a escola conta com 3,2 mil componentes, divididos em 39 alas. Com sete carros alegóricos, a Imperatriz é a segunda escola a desfilar neste domingo.
Com o enredo “A Imperatriz adverte: sambar faz bem à saúde”, uma das apostas da escola é a força da sua bateria, com 270 ritmistas. Apesar do desempenho ruim da agremiação no ano passado, a bateria obteve nota máxima, comandada pela rainha Luiza Brunet, que mais uma vez estará à frente do grupo este ano.
Confira o samba-enredo da Imperatriz Leopoldinense:
Um ritual de magia…
Oh! Mãe África,
Do teu ventre nascia o poder de curar!
Despertam as antigas civilizações,
A cura pela fé nas orações!
Mistérios da vida, o homem a desvendar…
A mão da ciência ensina:
O mundo não pode parar!
Uma viagem no tempo… a me levar!
O valor do pensamento a me guiar!
O toque do artista no Renascimento,
Surge um novo jeito de pensar!
Luz – Semeando a ciência,
A razão na essência, o dever de cuidar!
Luz – A medida que avança,
Uma nova esperança que nos leva a sonhar!
Segredo – A “Chave da Vida”,
Perfeição esculpida, iludindo o olhar…
Onde a medicina vai chegar?
No carnaval, uma injeção de alegria,
Dividida em doses de amor,
É a minha escola a me chamar, doutor!
Posso ouvir no som da bateria,
O remédio pra curar a minha dor!
Eu quero é sambar!
A cura do corpo e da alma no samba está!
Sou Imperatriz, sou raiz e não posso negar:
Se alguém me decifrar
É verde e branco meu DNA!