Principais corredoras do Brasil na São Silvestre 2010, Marizete Resende e Marily dos Santos evitam falar em vitória. Preferem adotar o velho e seguro discurso de “tentar fazer o melhor” para conseguir “um bom resultado”. Porém, sabem exatamente o que fazer para surpreender as favoritas Alice Timbilili, Eunice Kirwa e Bornes Kitur, do Quênia: colar nas africanas no meio da prova.
“Elas são fortes, mas quando veem que tem uma estrangeira junto, principalmente se não for africana, elas se preocupam, ficam pressionadas e amarelam”, revela Marizete, campeã da tradicional prova em 2002. Ela cita o êxito de Maria Zeferina Baldaia no ano anterior, para exemplificar. “Todo mundo dizia que a Margaret Okayo ganharia, mas durante o trote falei isso para a Baldaia, que voou no último quilômetro”, comenta.
Duas vezes terceira colocada na São Silvestre e melhor representante nacional tanto no feminino quanto no masculino no ano passado, Marily concorda e lembra que as brasileiras vêm evoluindo ano a ano – a última vitória do Brasil entre as mulheres na corrida foi em 2006, com Lucélia Peres.
“Elas não são imbatíveis. Se colar no meio da prova, elas preocupam. Não vou dizer que nós vamos ganhar, mas a cada ano elas estão ganhando cada vez mais apertado”, destacou.
Vinda de vitória na Maratona de Recife, em novembro, onde também correu contra quenianas, Marily só alerta para que a atenção com as estrangeiras não seja excessiva. “Tem que esquecer tudo o que as quenianas fizeram, quem veio, essas coisas…”, explicou.
Grávida, a atual campeã Pasalia Chepkorir não correrá nesta sexta-feira, mas a ausência não é suficiente para animar muito as brasileiras. “Não veio ela, mas veio outras duas (Eunice Kirwa e Bornes Kitur disputam a São Silvestre pela primeira vez). Para nós, não faz diferença, são todas iguais, todas fortes”, admitiu Marizete.
Duas das recentes vencedoras brasileiras da São Silvestre, Baldaia e Peres estão fora da disputa por lesão.