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Brasil tem apenas 3 capitais com mais de 75% de ocupação de UTIs para Covid

No Distrito Federal, a taxa de ocupação de leitos de UTI para Covid era de 73,7% na segunda (26), o que indica uma queda

Foto: Divulgação

Júlia Barbon, Thaiza Pauluze, Ana Luiza Albuquerque, João Pedro Pitombo, Katna Barar, Fernanda Canofre, Leonardo Augusto, Patrícia Pasquini e Natália Cancian
FolhaPress

Em um sinal de melhora na demanda da rede de saúde, apenas três capitais brasileiras -Rio de Janeiro, Goiânia e Palmas- estão com leitos de UTI para casos críticos da Covid-19 ocupadas em níveis superiores a 75%, segundo levantamento da reportagem com dados desta segunda-feira (26). No outro extremo, em situação mais confortável de ocupação estão Rio Branco (24%) e João Pessoa (25%).

O quadro mostra leve melhora até mesmo na comparação com a situação de julho, quando a taxa de ocupação de UTIs nas capitais brasileiras já era a menor deste 2021.

A cidade do Rio de Janeiro, que nesta semana paralisou a campanha de vacinação por falta de doses, teve um leve aumento na ocupação UTIs nas últimas duas semanas, passando de 86% para 90%. Já o estado fluminense tem apenas 59% das vagas preenchidas.

Goiás segue com alta taxa de ocupação das UTIs, variando entre 75% e 84%, como registrado nesta terça-feira.

“O estado vem mantendo um platô de estabilidade, mas esse é um sinal de alerta que vem sendo acompanhado continuamente pelas autoridades sanitárias”, afirmou em nota a secretaria de Saúde.

Já em Goiânia houve aumento de 14% na ocupação dos leitos de UTI nas últimas duas semanas. Hoje, 82,5% dos leitos de terapia intensiva para tratar pacientes com Covid estão em uso.

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Ainda assim, a capital registrou redução de 54% nos óbitos. Com isso, a prefeitura autorizou a abertura de cinemas, teatros e circos.

O cenário é parecido com o de Mato Grosso, que mantém taxa de 76% das UTIs ocupadas, mas vem registrando queda substancial no número de mortes.

Nesta segunda-feira (26), o secretário de Saúde de Mato Grosso do Sul, Geraldo Rezende, fez um alerta para a taxa de contágio do vírus, que voltou a subir no estado; está em 0,87, depois de ter atingido 0,82 no dia 18 de julho.

A taxa de ocupação de leitos de UTI está em cerca de 60% no estado, ante 69% registrados há duas semanas, mesmo com 12 leitos a menos. Em Campo Grande, a rede foi ampliada em oito leitos de UTI em relação ao levantamento anterior e o índice está em 67%.

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A ocupação de leitos em Palmas, no Tocantins, está entre as maiores do país, com taxa de 79% nesta segunda. A rede pública na cidade conta com 51 vagas para esse tipo de tratamento. Em todo o estado do Tocantins, a ocupação de UTI para pacientes com Covid é de 71%.

O nível de ocupação de leitos em Minas Gerais recuou de 71% em 12 de julho para 67% nesta terça-feira (27), segundo o estado.

Em Belo Horizonte o recuo na comparação com 12 de julho foi de 79% para 74% na ocupação de unidades de terapia intensiva.

No Rio Grande do Sul, a ocupação de leitos de UTI no SUS passou de 73% para 65% nas últimas duas semanas. Em Porto Alegre, porém, houve uma variação para cima, passando de 69% para 70,4%.

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O estado confirmou três casos de infecção pela variante delta do coronavírus na semana passada e, segundo comunicado do Cevs (Centro Estadual de Vigilância em Saúde) divulgado no último sábado, já tem transmissão comunitária da cepa.

No Paraná, segue em baixa a taxa de ocupação de UTIs exclusivas para casos de Covid-19. Em duas semanas, o índice caiu de 81% para 62%, mesmo com 40 leitos desativados no período.

A fila de espera por vagas, que chegou a ultrapassar os 500 pacientes há cerca de um mês, agora tem apenas 10 doentes.

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Em Curitiba, o cenário é ainda mais tranquilo do que o estadual, com 60% das UTIs ocupadas, mesmo com 48 vagas a menos do que há duas semanas.

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A capital registrou 1 dos 13 casos da variante delta do coronavírus no Paraná. Segundo o governo, ainda não há indícios de transmissão comunitária da nova cepa no estado.

Em Santa Catarina, os índices também continuam em baixa, com 64% das UTIs ocupadas, mesmo com a desativação de 24 vagas nas duas últimas semanas. A fila por leitos foi zerada no estado. Em Florianópolis, a situação é ainda mais tranquila, com taxa de ocupação em 40%.

No estado de São Paulo, as UTIs para Covid-19 registraram nesta segunda-feira (26) 11.564 pacientes com suspeita ou confirmação da doença internados. Desses, 6.040 ocupavam unidades de terapia intensiva e 5.524 de enfermaria.

No dia 12 de julho, 7.974 pessoas estavam em leitos de UTI.

A redução de hospitalizações também pode ser observada nas taxas de ocupação de UTI -no estado chegou a 51,8% nesta segunda e em 64,6% no dia 12, segundo dados da SES (Secretaria Estadual da Saúde) publicados na plataforma coronavírus da Fundação Seade.

Nas UTIs da capital paulista, no mesmo período, os índices baixaram 12 pontos percentuais, de 57% para 45%.

Na cidade de São Paulo, de acordo com a Secretaria Municipal da Saúde, nenhum hospital municipal operava com ocupação total dos leitos de UTI para Covid-19 na segunda-feira. Na mesma noite, a central de regulação tinha oito solicitações para leitos de UTI Covid-19.

Atualmente, a capital conta com 2.662 leitos para Covid-19 em operação. São 1.299 de UTIs e 1.363 de enfermaria.

No Nordeste, os estados de Alagoas, Piauí e Pernambuco tiveram quedas de mais de dez pontos percentuais na ocupação de UTIs nos últimos 15 dias. Os três têm aproximadamente a metade dos leitos para pacientes graves usados, e suas capitais também vivem situação mais tranquila até agora.

A situação confortável em Pernambuco destoa de outros períodos da pandemia neste ano, quando chegou a superar os 90% de ocupação e teve fila de pacientes esperando por vaga.

No Distrito Federal, a taxa de ocupação de leitos de UTI para Covid era de 73,7% na segunda (26), o que indica uma queda em relação às últimas duas semanas.

A redução ocorre mesmo com número menor de leitos disponíveis. Dos 404 leitos destinados a Covid, apenas 167 estavam ativos -há duas semanas, eram 192 em operação. Os demais estavam bloqueados por motivos contratuais, entre outros.

Apesar da redução na ocupação de leitos, o registro de casos da variante delta tem levado a um alerta da rede de saúde. Até segunda, eram ao menos 45 casos identificados de infecção pela variante no DF.

O secretário de saúde do DF, Osnei Okumoto, diz avaliar que já há transmissão comunitária da variante delta na região. À Folha, ele diz que a secretaria de saúde prepara um edital para contratar mais 100 leitos de UTI, 20 de suporte ventilatório e 70 de enfermaria para Covid. “Temos uma preocupação muito grande porque a transmissão é de 30% a 60% mais rápida. Temos que fazer uma previsão a partir disso.”

Dados do laboratório central, responsável pelo sequenciamento genômico, mostram que 26 dos casos identificados no DF da variante são de servidores do Hospital de Apoio de Brasília, e outros 19 de moradores de diferentes regiões.

O alto registro de casos de Covid em funcionários do hospital, que não atendia casos da doença, levou a unidade a suspender internações por sete dias.

Na região Norte, em Belém e cidades da região metropolitana, Marajó Oriental e Baixo Tocantins, a ocupação subiu de 48% para 62% em duas semanas, diante do fechamento de 40 leitos de UTI. Na última semana, a vacinação foi interrompida duas vezes na capital, devido à falta de doses.

Em Boa Vista, a ocupação dos leitos de UTI se manteve praticamente estável e nesta segunda-feira (26) era de 64%. Há 24 leitos intensivos disponíveis no único hospital que trata casos graves da doença no estado.






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