O Brasil registrou um aumento de 3 milhões de novos leitores entre 2024 e 2025, conforme pesquisa Panorama do Consumo de Livros, realizada pela Câmara Brasileira do Livro (CBL) e pela Nielsen. O diretor de Livro, Leitura, Literatura e Bibliotecas do Ministério da Cultura, Jéferson Assumção, destacou que mais de 2 milhões de brasileiros participam de clubes de leitura e que o país conta com mais de 410 eventos literários cadastrados, como bienais e feiras do livro.
Os dados foram apresentados nesta quarta-feira (29), durante sessão solene na Câmara dos Deputados, em comemoração ao Dia Mundial do Livro, celebrado em 23 de abril. Assumção enfatizou que o perfil dos novos leitores é composto majoritariamente por mulheres, negras, de classe C e oriundas do Nordeste. “Isso significa que novos sujeitos culturais, novas vozes estão se interessando cada vez mais pelo livro e pela leitura. Isso porque nós temos visto o crescimento de comunidades leitoras”, afirmou o diretor.
Na mesma data, o Diário Oficial da União publicou o novo Plano Nacional de Livro e Leitura (PNLL) para o período de 2026 a 2036. A política pública visa orientar ações governamentais para fomentar a leitura e o acesso a bibliotecas, com ênfase na renovação de acervos, ampliação do alcance em áreas rurais e periferias, além de projetos para qualificar educadores e incentivadores da leitura.
Apesar do entusiasmo, o presidente do Sindicato Nacional dos Editores de Livros (Snel), Dante José Alexandre Cid, expressou preocupação com a alocação orçamentária para o plano. “Meu único apelo é para que cada parlamentar, aproveitando a publicação no Diário Oficial do PNLL, garanta espaço no Orçamento para essas ações. O texto é maravilhoso e a intenção é espetacular, mas, sem alocação orçamentária, nada vai mudar”, declarou Cid.
Ele também criticou a Lei Complementar 224/25, que revogou a isenção fiscal para livros didáticos a partir de 2026, e defendeu a transformação do Programa Nacional do Livro Didático (PNLD) em política de Estado. Um projeto de lei em tramitação na Câmara (PL 3965/23) busca converter o programa em lei, assegurando sua obrigatoriedade e perenidade, com diretrizes para a distribuição gratuita de materiais didáticos e literários.
A importância da leitura desde a infância foi ressaltada pela diretora-executiva da CBL, Fernanda Garcia. “A criança que tem acesso ao livro e à leitura, o jovem que adota o livro como seu próprio estilo de vida se tornam adultos conscientes do que o Brasil precisa. Esses são cidadãos comprometidos com a cidadania e com a democracia, que nos levarão ao país que tanto sonhamos, mais justo, mais igualitário e mais desenvolvido”, observou.
Iniciativas digitais também avançam na promoção da leitura. O aplicativo MEC Livros, lançado há poucas semanas, já conta com mais de 500 mil usuários e permite o empréstimo de livros eletrônicos, funcionando como uma biblioteca virtual com possibilidade de listas de espera.
A Biblioteca Nacional, por sua vez, oferece acesso virtual por meio de sua página, lançada há 20 anos como uma das maiores bibliotecas digitais do mundo. Segundo o presidente da fundação, Marco Lucchesi, o site é o mais acessado do governo federal, com cerca de 100 milhões de acessos anuais e 10 a 11 milhões mensais. Além disso, a instituição recebeu no ano passado quase um número equivalente à capacidade do Maracanã em visitas guiadas presenciais.
A sessão solene foi requerida pelas deputadas Fernanda Melchionna (Psol-RS) e Laura Carneiro (PSD-RJ), e pelos deputados Pedro Uczai (PT-SC) e Tarcísio Motta (Psol-RJ). O Dia Mundial do Livro e do Direito de Autor, instituído pela Unesco, homenageia os escritores Miguel de Cervantes e William Shakespeare, falecidos em 23 de abril de 1616.