O ministro Celso Amorim disse hoje que confia que o Conselho de Segurança das Nações Unidas irá adotar “uma declaração forte” frente ao ataque israelense à frota de navios que tentava levar ajuda humanitária à Faixa de Gaza na madrugada passada.
“Não poderíamos ter ficado mais impressionados” perante o ataque sofrido por “pessoas pacíficas” que “não supunham nenhuma ameaça” e tentavam levar a cabo “uma missão humanitária”, declarou Amorim. A ação deixou ao menos nove ativistas mortos, segundo o Governo de Israel.
O fato ocorreu a cerca de 20 milhas marítimas da Faixa de Gaza, quando tropas do Exército israelense atacaram os navios da frota, organizada por uma ONG turca e formada por seis navios e cerca de 750 pessoas.
Segundo Amorim, essa missão humanitária “não seria necessária” se Israel não mantivesse um bloqueio sobre Gaza, bloqueio que “deve terminar de uma vez”.
O ministro disse que o Brasil, como membro não-permanente dessa instância, apoiou a convocação do Conselho de Segurança da ONU, que se reúne hoje em caráter urgente para tratar do assunto, e expressou sua confiança de que “uma declaração forte” será adotada.
Na sua opinião, “é algo que realmente precisa de um tipo de ação da ONU e que vai deixar uma marca muito forte”, pois “não se pode dizer que os tripulantes dos navios eram terroristas perigosos”.
Amorim considerou que o ocorrido reforça a tese do Brasil, no sentido que o caminho para a pacificação do Oriente Médio é “um diálogo amplo” para evitar “as ações intempestivas”.
O Brasil “é muito amigo de Israel, tem orgulho da criação do Estado de Israel e quer que o país viva em segurança”, explicou o chanceler, embora esclareça que “não é assim que se chegará a paz”.
Além disso, Amorim expressou sua preocupação pela situação de uma brasileira que viajava em um dos navios da frota, sobre cujo estado ainda não há informação.
“Manifestamos indignação e preocupação por nossa cidadã, uma cineasta que faz documentários sobre o meio ambiente” e que não está ligada a nenhuma atividade “terrorista”, declarou.
O ataque já tinha sido condenado pelo Brasil através de um comunicado do Ministério das Relações Exteriores que, além disso, informou que convocou o embaixador de Israel no país para manifestar sua “indignação” pelo ataque.