O Brasil investirá R$ 3 bilhões na construção de duas fábricas que vão permitir que o país realize o processo completo de enriquecimento de urânio, disse o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, em entrevista publicada nesta sexta-feira pelo jornal “Valor”.
“Vamos iniciar esses projetos. Calculamos que temos reservas para 1,1 milhão de toneladas de urânio. Com essas reservas tão grandes, temos que desenvolver todos as etapas de tratamento e enriquecimento no país”, afirmou Lobão em sua entrevista ao jornal econômico.
O país, que tem a sexta maior reserva de urânio do mundo, extrai atualmente o mineral e o envia ao Canadá e à França para que seja transformado em gás, uma parte vital no processo de enriquecimento de urânio.
Posteriormente, importa esse gás e realiza a etapa final da fabricação das cápsulas de combustível para suas usinas nucleares de geração de energia em uma fábrica de enriquecimento de urânio no país e para a que desenvolveu reatores com tecnologia própria.
As duas novas fábricas projetadas vão permitir que o Brasil transforme o mineral em gás diretamente no território brasileiro e complete em 100% o domínio e a autonomia no processo de desenvolvimento do combustível para seus geradores nucleares.
O investimento nos próximos oito anos também vai permitir que a estatal Indústrias Nucleares do Brasil (INB) tenha capacidade para produzir todo o urânio enriquecido que necessita para seus reatores nucleares.