Contagem (MG), 27/04/2013 – Depois de se estender até a madrugada deste sábado, o julgamento do ex-policial Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, acusado de matar e ocultar o cadáver da ex-amante do goleiro Bruno Fernandes, Eliza Samudio, foi retomado às 10h20 da manhã deste sábado. O promotor Henry Wagner afirmou ao que a expectativa é de que o julgamento vá até a madrugada e o caso tenha uma “decisão condenatória”. O advogado da defesa informou que continuará não falando com a imprensa.
A juíza Marixa Fabiane Lopes Rodrigues reiniciou o interrogatório do réu pedindo para Bola explicar por que teve seu direito de defesa cerceado e que, por isso, estava se recusando a responder algumas perguntas. Bola, visivelmente abalado, relatou como foi preso, no dia 8 de julho de 2010. O réu afirmou que entrou em contato com a imprensa, por meio da jornalista Shirley Barroso, dizendo que estava na casa de sua tia, em Belo Horizonte, após ver a sua foto e de sua neta na televisão.
O réu afirmou que o delegado Júlio Wilquer chegou à residência de sua tia antes de a jornalista e foi conduzido para a Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa e que lá, durante o interrogatório, o delegado Edson Moreira afirmou existirem dois tipos de anjos: anjo bom e anjo mau. O anjo bom seria aquele que “conversa sem arrogância e sem agressão física”, que era o caso do delegado Júlio Wilquer, e que o anjo mau é aquele que “conversa com arrogância com o preso, que bate na mesa e pode até agredir fisicamente”. De acordo com Bola, o delegado Edson Moreira afirmou que iria agredi-lo e colocá-lo no “pau de arara”, mas apenas o ameaçou.
Durante o depoimento, Bola reafirmou sua inocência e diz estar preso injustamente. Após a juíza, foi a vez do promotor de Justiça, Henry Wagner, começar a fazer perguntas. Durante o questionamento, Bola respondeu repetidas vezes ser inocente. Depois afirmou estar debilitado e que não estava em “suas melhores condições” para falar.
A juíza Marixa Rodrigues passou então a palavra à assistentes de acusação, mas Bola esquivou-se novamente e o advogado do réu, Ércio Quaresma, recomeçou a fazer perguntas.
Notadamente, o advogado tenta sensibilizar o júri de que o acusado está distanciado da sua família. Ao falar sobre sua esposa e filhos, Bola chorou e se disse religioso. Quaresma perguntou se Bola já havia assassinado alguém dentro de sua própria casa. “Nunca matei ninguém, principalmente não mataria dentro da minha casa”, respondeu o ex-policial.
Questionado se esteve alguma vez com Eliza, o réu respondeu que não e que só a conhecia pela televisão. O réus também negou que tenha ameaçado Jaílson, seu ex-colega de cela, durante a acareação no DEOSP. (Bruno Marques, especial para Agência Estado)