O bispo da diocese de Barra (BA), what is ed Dom Luiz Flavio Cappio, clinic reafirmou hoje que só vai interromper seu jejum quando o Governo federal suspender definitivamente as obras de transposição do rio São Francisco, malady que pretende levar água a áreas do sertão nordestino afetadas pela seca.
“Manterei a greve de fome até o momento em que as obras sejam paralisadas e que o Exército desocupe os dois canteiros de obras de onde comanda as tarefas”, afirmou o bispo, que já está há 15 dias em jejum, em entrevista por telefone à Agência Efe.
O franciscano de 61 anos acrescentou que, “inclusive se o Governo aceitar negociar, essas são minhas duas condições para dialogar. Caso contrário, manterei o jejum”.
Dom Luiz fez outra greve do tipo em outubro de 2005, durante 11 dias, que só foi suspensa quando o então ministro e atual governador da Bahia, Jaques Wagner, enviado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, se comprometeu a abrir um debate nacional sobre a transposição do Rio São Francisco.
O bispo de Barra alega que o Governo federal não cumpriu a promessa e que desta vez não se deixará enganar por palavras.
A transposição do São Francisco, um antigo projeto que pode beneficiar 12 milhões de pessoas, é considerada uma das principais bandeiras do Governo Lula, e suas obras começaram em junho.
O religioso assegura que a obra ameaça a vida do rio, que tem que ser revitalizado primeiro, e que a canalização favorecerá apenas ricos fazendeiros e criadores de camarão, e não os pobres que sofrem com a seca.
“A água que será desviada não beneficiará os pobres, apenas os fazendeiros”, assegura.
“Recebemos cartas desses bispos e irmãos (que defendem o projeto) e as respondemos. Explicamos a eles nossos argumentos”, afirmou.
O “Velho Chico”, com quase três mil quilômetros de extensão, banha Minas Gerais, Bahia, Pernambuco, Sergipe e Alagoas, estados nos quais vários grupos consideram que o desvio pode ser prejudicial.
Ao contrário da greve passada, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) manifestou amplo apoio à atitude de Dom Luiz desta vez.
“Estou recebendo muito apoio da Igreja, dos meus irmãos. Hoje recebi uma ligação do presidente da CNBB, que me tratou de forma muito solidária, muito amiga, muito fraterna”, assegurou.
“O apoio do povo foi enorme”, acrescentou o bispo, ao explicar que está publicando todas as cartas de apoio em um site (www.umavidapelavida.com.br).
“A CNBB me comunicou que falará sobre minha situação com Lula. Eles vão chamar a atenção do Governo para esse absurdo da transposição. A Conferência é contrária a esse projeto”, afirmou o religioso.
Em comunicado divulgado ontem, a CNBB manifestou sua “preocupação” com o estado de saúde do bispo e pediu ao Governo “um gesto de boa vontade”.
Há dois anos, pouco antes de pôr fim a sua primeira greve de fome, o bispo recebeu uma carta na qual o Vaticano ordenou que suspendesse o “gesto radical” por não ser uma forma aceitável de “manifestar sua reivindicação ou sua entrega pelo povo de Deus”.
“A Santa Sé confia em que vossa excelência não desobedecerá ao preceito divino de não extinguir ou prejudicar sua vida, e que imediatamente porá fim a esse gesto”, dizia a carta assinada pelo então prefeito da Congregação para os Bispos, o italiano Giovanni Battista.
“Até agora não recebi nada de Roma. Da outra vez, apenas recomendaram que me cuidasse”, disse Dom Luiz.
Quanto aos argumentos do Vaticano, o bispo alega que seu jejum é uma forma de mobilizar a sociedade e o Governo para o fato de a transposição estar colocando muitas vidas em jogo.
“Quem diz isso (que sacrificar a vida é contrário à Igreja) é porque não conhece a Bíblia, nem o Evangelho, nem Jesus, que deu a vida por suas ovelhas. Entendo as pessoas que dizem isso, porque não conhecem nada do evangelho nem da Igreja, que foi construída sobre o sangue dos mártires”, disse.