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Brasil

Ato das Mães de Maio lembra nove anos dos Crimes de Maio em São Paulo

O grupo, criado por mães de vítimas dos assassinatos de 2006, critica a falta de investigações sobre as execuções policiais nas periferias.

Redação Jornal de Brasília

12/05/2026 9h16

Mães de Maio propõem lei para enfrentar violência policial no país

Foto: © Paulo Pinto/Agência Brasil

Um ato em frente à Catedral da Sé, no centro de São Paulo, marcou nesta sexta-feira (15) os nove anos dos Crimes de Maio de 2006, que resultaram na morte de mais de 500 pessoas, principalmente nas periferias da capital e da Baixada Santista.

Conhecido como Crimes de Maio, o episódio deixou 493 civis e 59 agentes públicos mortos após ataques de grupos armados a policiais. O grupo Mães de Maio, formado por mães dos jovens assassinados, defende que o número de vítimas supera 600 e que os crimes foram cometidos pela polícia em retaliação aos ataques da organização criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), atingindo majoritariamente inocentes, negros, pobres e moradores de periferias.

“Hoje faz nove anos que meu filho foi assassinado. Meu filho não volta mais, mas o Brasil tem de parar de ser uma fábrica de cadáveres da periferia, de favelados. Eles mataram em uma semana mais de 600 jovens, e todos os inquéritos foram arquivados. Não houve investigação”, relatou Débora Silva, fundadora do movimento, cujo filho, Edson Rogério Silva dos Santos, de 29 anos, foi morto em 15 de maio de 2006, em Santos, a poucos metros de sua casa, após parar para abastecer a moto em um posto de gasolina.

Organizações de direitos humanos, como o Grupo Tortura Nunca Mais, apontam que os assassinatos foram uma reação de grupos de extermínio, com participação de agentes do Estado, aos ataques do PCC. Débora Silva acrescentou: “É muito difícil, eu estou em choque, porque hoje é um dia que jamais eu vou esquecer. O dia que o Estado deu toque de recolher para matar. Ele colocou a população para dentro de casa, para a população não ser testemunha dos próprios crimes de braço armado do Estado”.

A Comissão da Verdade da Democracia de São Paulo, instalada em fevereiro na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) para apurar violações cometidas pelo Estado após a ditadura militar, revela que as investigações sobre execuções e desaparecimentos dos Crimes de Maio foram quase todas arquivadas sem esclarecimentos ou responsabilizações. Apenas um policial militar, Alexandre André Pereira da Silva, está preso pela morte de três jovens: Murilo de Moraes Ferreira, Felipe Vasti Santos de Oliveira e Marcelo Heyd Meres, assassinados a tiros por homens em motocicletas em uma esquina do Jardim Brasil, na zona norte da capital.

Em julho do ano passado, Alexandre André foi condenado em primeira instância por homicídio qualificado a 36 anos de prisão, em regime fechado, com perda de cargo público.

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