A rocha foi avistada em uma planície coberta por areia, no último dia 18, pelo satélite Opportunity, que aterrissou em Marte em 2004
Meteorito encontrado dá novos sinais da existência de água no planeta
O rover Opportunity está analisando o maior meteorito já descoberto em Marte. A rocha, que tem o tamanho de uma bola de praia, é um meteorito ferroso de grande importância para as pesquisas científicas. Agora, os cientistas esperam estudá-lo em busca de sinais de ferrugem para obter informação sobre a possibilidade de ter havido água no Planeta Vermelho.
A rocha foi avistada no último dia 18 pelo Opportunity. O objeto se sobressaía num terreno liso, quase estéril, chamado de Meridiani Planum. Trata-se de uma planície coberta por areia, onde o rover tem feito explorações desde que aterrissou em Marte, em janeiro de 2004.
A planície está cheia de rochas, com o tamanho de um punho, que se pensa serem meteoritos ou fragmentos de uma rocha maior que criou a vizinha cratera Victória, de 800 metros. Mas este objeto, denominado “Block Island”, é o maior, medindo cerca de 0,6 metros de comprimento e 0,3 de altura – cerca do dobro de qualquer outro meteorito já descoberto em Marte. “É grande”, enfatiza Ray Arvidson, membro da equipe do rover, da Universidade de Washington, que fica em Missouri, nos Estados Unidos.
“Quando conduzimos por planícies relativamente lisas e chatas durante muito tempo, qualquer coisa que se parece com uma rocha decente, a gente grita”, diz Albert Yen, membro da equipe e cientista planetério da Nasa, em Pasadena, Califórnia. Por isso, mesmo que a rocha estivesse na direção oposta à que a Opportunity tinha na altura, os líderes da missão teriam dado ordens ao rover para ele realizar as investigações. “Este alvo era demasiado bom para não o estudar,” realçou Arvidson.
poeira
Na semana passada, as imagens da rocha, obtidas pelas câmeras do rover, sugeriram que a rocha está coberta por alguma poeira. “Mas onde a poeira não está muito espessa, é brilhante e tem um aspecto metálico”, afirmou Arvidson. O satélite também estudou uma seção da rocha com o seu instrumento APXS (Alpha Particle X-Ray Spectrometer), que mede composições químicas. “Na semana passada, os dados enviados de volta pelas observações confirmaram que a rocha é um meteorito de ferro”, disse Yen.
Os rovers já descobriram outros meteoritos ferrosos, que devido à sua aparência brilhante e às suas propriedades espectrais, são mais fáceis de identificar do que os meteoritos “rochosos” mais comuns. Foram descobertos dois meteoritos ferrosos pelo rover Spirit, em junho de 2006, com base nas suas reflectividades, ao passo que em janeiro de 2005, o Opportunity confirmou que um objeto brilhante situado perto do seu escudo térmico abandonado era de fato um meteorito de ferro.
Esse objeto, com 0,3 metros de comprimento, anteriormente denominado “Heat Shield Rock”, e agora com o nome de “Meridiani Planum”, era o maior meteorito descoberto em Marte. Poderão estes dois meteoritos ferrosos, descobertos praticamente na mesma região de Marte, fazer parte do mesmo corpo? Possivelmente, dizem os membros da equipe do rover. As primeiras observações com o APXS sugerem que eles têm diferentes quantidades de níquel.