O comerciante Cícero Fernando Guilherme, de 47 anos, morreu na noite de ontem, no Hospital das Clínicas de Marília, no interior de São Paulo, onde estava internado havia dois dias. Ele não resistiu aos ferimentos após ser linchado na noite de segunda-feira por moradores do Jardim Antonieta, onde morava. Testemunhas disseram à polícia que um grupo de pessoas espancou e esfaqueou o comerciante porque ele teria estuprado e matado a adolescente Thaís Alves da Costa, de 14 anos, cujo corpo fora encontrado na tarde do mesmo dia. Mas a Polícia Civil diz que Guilherme não era suspeito do crime e trabalha com a hipótese de o linchamento ter sido provocado por outros motivos.
Por volta das 22 horas de segunda-feira, Cícero foi retirado do seu bar, levado para a rua e recebido a socos, pontapés e até facadas. Também recebeu golpes de tijolos, telhas e paus. Em seguida, o grupo de agressores incendiou seu bar e ateou fogo e destruiu sua casa. As casas da mãe de Cícero, que ficava em frente, e da irmã, ao lado, também foram incendiadas. As duas estão sob proteção policial e morando num lugar não divulgado pela polícia.
O titular da Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Marília, Aeliton Roberto de Souza, suspeita que a verdadeira motivação do crime pode ser outra. Segundo ele, o crime pode ter sido praticado por traficantes que moram no bairro. A Polícia Civil, segundo ele, já identificou seis agressores, mas não pode dar detalhes para não atrapalhar as investigações. “O Cícero era amigo da PM e isso incomodava os traficantes da região”, diz.
Thaís estava desaparecida havia 11 dias. O corpo foi encontrado em um córrego próximo ao bairro, mas a cinco quilômetros de onde ela fora vista pela última vez, nadando com os amigos em um ribeirão. Entre os amigos estavam o filho e uma irmã de Cícero. Em determinado momento, Thaís teria se afastado do grupo, não sendo mais vista. Seu corpo foi encontrado só de sutiã e com um colar, o que levantou suspeita de estupro.
Mas segundo Souza, Thais que era epiléptica e não havia tomado o remédio para evitar ataques naquele dia, pode ter se afogado. “Nos dias seguintes ao desaparecimento, houve muita chuva, o que dificultou a localização e a enxurrada pode ter ajudado a desnudar o corpo”, disse.
Segundo o delegado, a perícia não encontrou qualquer marca de violência no corpo da adolescente, mas mesmo assim, realizou os exames para saber se ela foi violentada antes de morrer. “Os resultados saem nos próximos dias”, diz. O delegado ainda esclareceu que Cícero era portador de paralisia infantil e em seu histórico não consta qualquer ocorrência que o ligasse a crimes dessa natureza.