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Atividades do Jovem de Expressão no Galpão Cultural podem ser encerradas

Administração Regional pretende encerrar as atividades culturais realizadas pelo programa no espaço

Por Mayra Dias 14/10/2021 6h23
Foto: Divulgação

“Não vamos e não podemos aceitar. Cultura também é saúde pública”, é o apelo que Max Maciel faz nas redes sociais para pedir a população que assinem a petição contra a cessão do uso do Galpão Cultural da Ceilândia pelo projeto Jovem de Expressão, cujo é coordenador. Recentemente, a Administração Regional da cidade decidiu retirar da iniciativa o espaço onde diversas atividades do projeto eram realizadas. Inaugurado em 2018, o Galpão de 116 metros abriga sala de dança, teatro de bolso, estúdio audiovisual, a galeria de arte Risofloras, espaço para reuniões, palestras, aulas, cultos religiosos e terapias.

O antigo posto policial, reformado para dar lugar à arte e à cultura e, nesses quatro anos de existência, já foram realizadas mais de 400 atividades promovidas pelo Programa Jovem de Expressão. “O Galpão faz parte de um complexo de atendimento, de sobreposições de ações do JEX. Temos dois prédios onde, em um, acontecem atendimentos psicológicos, pré vestibular, curso de línguas, oficinas de cinema, e o galpão, com as oficinas lúdicas, apresentações artísticas e a galeria de arte periférica”, expõe Max. 

Com o objetivo de permanecer dando continuidade a tais práticas, o coordenador convocou, através de suas redes sociais, a população brasiliense para assinar uma petição contra a decisão da Administração local. Disposto e aberto para o diálogo com as autoridades, Max também pediu um posicionamento da entidade, assim como convocou uma assembléia na Praça do Cidadão, nesta sexta-feira, para debater o assunto. “Lutamos há anos para que seja dada a cessão de uso definitiva para garantia da manutenção dos trabalhos desenvolvidos”, argumenta o coordenador. “Infelizmente, a continuidade do Jovem de Expressão está ameaçada. Trabalhamos para mudar a realidade da juventude periférica promovendo o acesso à cultura, à tecnologia, educação, lazer e arte”, acrescentou. 

Como conta o gestor, o Jovem de Expressão já funciona há 14 anos, e 11 deles na Praça do Cidadão, em Ceilândia Norte-DF. O programa atende, anualmente, uma média de 42 mil pessoas com ações em prol da comunidade e juventude do DF, e mais de 462 mil já foram impactadas. “A perda não é somente para o JEX, mas também para a cidade. Ceilândia tem mais de 500 mil habitantes e não conta com um centro cultural, um teatro. A juventude não tem um espaço para utilizar”,  defende Max Maciel. 

Integrante do projeto quando participou das aulas pré-vestibulares, Gabriel Bezerra, de 20 anos, viveu importantes experiências no Galpão e, conforme destaca o jovem, de extrema importância para seu crescimento. “Fiz aulas de grafite, participei das aulas de dança, mas o que eu mais gostava era das batalhas de rap”, comenta o rapaz. O estudante salienta ainda que, para ele, o programa é, hoje, uma das maiores instituições públicas que trata o rap como agente transformador de vidas dos moradores da periferia. O estudante da Universidade de Brasília pontua que seu ingresso na faculdade pública é fruto do trabalho do projeto coordenado por Max. “Eu sei que eu não estaria na UnB se tivesse me limitado aos estudos do ensino médio e sei que isso também é a realidade de muitos jovens da Ceilândia”, diz Gabriel.

Tendo formado milhares de jovens ao longo do tempo, Max acredita no poder agregador e na relevância social do JEX, garantindo que irá fazer o que for necessário e possível para manter o programa vivo. “O Jovem de Expressão conseguiu inserir gente no mercado de trabalho, os fizeram aprender uma profissão, serem aprovadas na Universidade pública. São vários os exemplos reais de como investir e acreditar nos jovens é transformador”, finaliza o coordenador. 

O que diz a Administração Regional 

Ao ser questionada sobre o assunto, a Administração de Ceilândia informou, em nota, que visitou os cinco prédios da Praça do Cidadão, onde dois são da Farmácia de Alto Custo, um da Agência do Trabalhador e dois do Projeto Jovem de Expressão, e observou que apenas um é utilizado para atender a comunidade. “Deste modo, uma das edificações estava relativamente ociosa. Com esta constatação, a Farmácia de Alto Custo solicitou a ocupação de um dos prédios para a ampliação do serviço de entrega de medicamentos em casa”, escreveram. De acordo com a entidade,  seriam mais de 15 mil atendimentos por mês para pacientes com comorbidades graves (câncer, alzheimer, covid, diabetes, etc).

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A Administração garantiu ainda que a decisão não afetará a continuidade do projeto e aumentará a capacidade de assistência aos mais vulneráveis de Ceilândia e região, incluindo o entorno. “O Projeto Jovem de Expressão não possui qualquer cessão  de direito do uso dos prédios, ou seja, está irregular”, afirmaram. A entidade, segundo a nota, buscou regularização, entretanto, foi constatado que os cinco prédios não pertencem diretamente à Administração Regional de Ceilândia, motivo pelo qual foi instaurado um processo junto ao GDF para regularizar as edificações.

Por fim, a administração informou que não tem nenhum interesse em prejudicar o projeto, e que procura sempre a melhor solução para atender a comunidade mais vulnerável, especialmente em tempo de pandemia global.








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