YURI EIRAS E BRUNA FANTTI
FOLHAPRESS
A Justiça do Rio de Janeiro condenou quatro homens envolvidos no estupro coletivo de uma adolescente de 17 anos em Copacabana. Um quinto envolvido, adolescente, teve a internação determinada pela Justiça em abril.
Bruno Felipe dos Santos Allegretti, João Gabriel Xavier Bertho, Mattheus Verissimo Zoel Martins e Vitor Hugo Oliveira Simonin foram condenados a 15 anos de prisão em regime fechado e pagamento de indenização de 40 salários mínimos, por danos morais causados à vítima.
Eles foram absolvidos da acusação de cárcere privado.
A decisão foi determinada pelo juiz João Zacharias de Sá, da 1ª Vara Especializada em Crimes Contra a Criança e o Adolescente, na última semana. A sentença foi publicada no último dia 13.
O advogado Ângelo Máximo, que defende Vitor Hugo Oliveira Simonin, reclamou, em nota, de vazamentos da decisão do juiz e de gravações em vídeo do interrogatório e afirmou que não vai se manifestar. O processo está sob segredo de Justiça.
Os advogados de João Gabriel Xavier Bertho e Bruno Felipe dos Santos Allegretti foram procurados por meio de telefonemas ao escritório e mensagens na manhã desta quarta (14), mas não responderam até a publicação deste texto. A reportagem busca o contato da defesa de Mattheus Verissimo Zoel Martins.
O caso aconteceu na noite de 31 de janeiro, em um apartamento em Copacabana, zona sul do Rio. O imóvel pertence à família de um dos envolvidos, mas não estava ocupado.
Segundo relato da vítima, ela foi convidada pelo ex-namorado, também adolescente, para ir a um apartamento. A jovem foi ao local e, enquanto tinha uma relação consensual com o ex, os outros homens entraram no quarto.
A vítima afirmou ter sido impedida de sair e forçada a praticar sexo oral com todos os envolvidos. A adolescente relatou também ter sido agredida com socos e tapas enquanto os jovens se revezavam no ato. Além disso, o ex-namorado teria desferido chute na região abdominal da vítima.
De acordo com a vítima, um dos jovens pediu que ela levasse uma “amiga boa igual” na próxima vez. Seu ex-namorado a orientou a não ficar sem roupas na frente da mãe, porque ela estava sangrando. Ao sair do apartamento, a jovem buscou ajuda da família, que a levou à delegacia. Ela foi encaminhada ao hospital para realizar exames a fim de verificar uma possível fratura de costela decorrente das agressões.
A versão da vítima foi corroborada em relatório da polícia e denúncia da Promotoria.
Dois dos acusados, assim como a vítima, eram estudantes do colégio Pedro 2º, tradicional escola federal do Rio de Janeiro. Os investigados pelas agressões foram expulsos da escola.
Durante o processo, a defesa de Vitor Hugo pediu a inépcia da denúncia por supostamente não individualizar quais foram as condutas criminosas do acusado. A Justiça, contudo, confirmou o entendimento do Ministério Público de que ele foi responsável por desferir socos, tapas e puxões de cabelo, além de conter os movimentos da vítima.
Os advogados dos acusados também reclamaram de supostos vazamentos de vídeos sigilosos da audiência.
As defesas de Bruno e Matheus questionaram a credibilidade do depoimento da adolescente sob argumento de suposto diagnóstico de transtorno bipolar. A defesa de Bruno chegou a pedir avaliação psicológica. A médica que a examinou no IML (Instituto Médico Legal), no entanto, confirmou plena lucidez e orientação da vítima na ocasião e depois. A avaliação foi negada.
Justiça condena homens por estupro coletivo de adolescente em Copacabana
Homens foram condenados a 15 anos de prisão em regime fechado e pagamento de indenização de 40 salários mínimos, por danos morais causados à vítima
Acusados de violentar sexualmente uma adolescente de 17 anos. Foto: Reprodução