PAULO EDUARDO DIAS
FOLHAPRESS
Uma câmera de segurança registrou a abordagem de policiais militares contra o jovem aprendiz Gustavo Munis de Santana, 20, na madrugada de sábado (10) na alameda dos Guaramomis, em Moema, zona sul de São Paulo.
Gustavo estava no recuo de uma loja, quando os PMs -que já o acompanhavam- chegaram.
A imagem mostra quando ele deixa o recuo do imóvel onde estava abrigado e avança com um celular nas duas mãos, em uma postura que se assemelha a de alguém segurando uma arma, em direção à rua onde os PMs estavam.
Em certo momento eles chegam a ficar frente a frente. Gustavo é atingido por uma sequência de tiros e cai imediatamente. Nas imagens é possível ver que, mesmo no chão, o rapaz ainda recebe tiros.
Os policiais envolvidos no caso dizem ter confundido o aparelho celular que Gustavo segurava com uma arma. O telefone foi encontrado pelos peritos perto dos pés da vítima.
No total foram 45 tiros feitos por quatro policiais militares. Dos 8 policiais que participaram da ação, 4 atiraram, totalizando 45 tiros: um deles fez 14 disparos; outro, 13; um terceiro, 6; e o último, 12.
O corpo de Gustavo tinha 27 lesões em decorrência dos disparos. Os tiros atingiram diversas partes do corpo do rapaz -cabeça, pescoço, tórax, cotovelo, bacia, antebraço, mão e perna. Um veículo da PM foi atingido duas vezes no capô.
Os policiais militares envolvidos foram afastados. Não foi divulgado o número total daqueles remanejados para o setor administrativo.
A vítima foi sepultada na tarde desta segunda-feira (12).
Entre os tiros e o aviso ao DHPP (Departamento de Homicídio e de Proteção à Pessoa) se passaram seis horas. A delegacia é a responsável por investigar mortes cometidas por policiais militares em serviço contra civis. A demora, conforme investigadores ouvidos, pode atrapalhar o andamento da perícia e das investigações.
O corpo do rapaz permaneceu na alameda dos Guaramomis por mais de dez horas até ser removido do local por um carro do IML (Instituto Médico-Legal).
Familiares disseram à polícia que Gustavo vivia com a mãe e as irmãs e, desde o ano passado, tomava medicamentos para depressão. Ele não tinha antecedentes criminais, segundo o boletim de ocorrência.
A ação dos policiais militares foi classificada como inadmissível pela advogada Ana Facillia Meira, que atua na defesa da família de Gustavo.
“A assessoria jurídica enfatiza a violência extremada, a má conduta técnica e a total desproporcionalidade da ação policial. É inadmissível que agentes do Estado tenham efetuado 45 disparos, atingindo o jovem com 27 tiros, sob a justificativa de terem confundido um aparelho celular com uma arma de fogo”, diz a advogada, em nota enviada à reportagem.
Procurada na noite de segunda-feira (12), a SSP (Secretaria da Segurança Pública) disse que não tolera desvios de conduta e apura com rigor as circunstâncias do caso. Diz, ainda, que as imagens das câmeras corporais dos PMs estão em análise.
Jovem morto com 27 tiros avançou com celular em direção a PMs e foi baleado quando já estava no chão, mostra vídeo
Policiais envolvidos no caso dizem ter confundido o aparelho celular que a vítima segurava com uma arma
Foto: Reprodução/Câmera de segurança