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Trump tenta bloquear na Justiça livro explosivo de ex-conselheiro

O ex-assessor diz que Trump “suplicou” ao presidente chinês, Xi Jinping, durante negociações comerciais bilaterais, que o ajudasse a ser reeleito em novembro aumentando as compras de produtos agrícolas americanos

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A última tentativa do presidente americano, Donald Trump, de bloquear a publicação do livro de seu ex-assessor John Bolton chega aos tribunais nesta sexta-feira, apesar de grande parte do conteúdo da obra, que descreve Trump como corrupto e incompetente, já ter sido divulgada.

Um tribunal federal de Washington ouve, desde as 13h locais, os argumentos do governo de que o livro “The Room Where it Happened” contém informações confidenciais que afetam a segurança nacional.

A defesa de Bolton irá argumentar em favor da liberdade de expressão e assinalar que o livro foi submetido a uma avaliação exaustiva da Casa Branca, que apenas não gosta de seu conteúdo. Não ficou claro quando sairá o veredito.

A publicação, que deverá estar nas livrarias na próxima terça-feira, reúne as impressões que Bolton teve de Trump ao longo dos 17 meses em que trabalhou como assessor de Segurança Nacional, até ser demitido, em setembro passado.

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Trump afirmou que se trata de uma obra “de pura ficção”. Segundo Bolton, republicano ainda mais direitista do que Trump, o presidente “não está apto” a ocupar o cargo.

O ex-assessor diz que Trump “suplicou” ao presidente chinês, Xi Jinping, durante negociações comerciais bilaterais, que o ajudasse a ser reeleito em novembro aumentando as compras de produtos agrícolas americanos. Bolton afirma que Trump, um magnata do ramo imobiliário que não havia ocupado nenhum cargo eletivo antes de chegar à Casa Branca, é tão ignorante que achou que a Finlândia fizesse parte da Rússia.

O ex-assessor também apoia as denúncias de que o presidente americano pressionou a Ucrânia a investigar seu rival democrata, Joe Biden, acusação que, no ano passado, esteve no centro do julgamento político de Trump, do qual ele se saiu vitorioso.

Bolton alega que o presidente cometeu outras “transgressões semelhantes às da Ucrânia” em sua condução da política externa em benefício pessoal.

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Muito tarde para parar 

A manobra legal do governo chega tarde, uma vez que o livro já foi impresso, enviado para todo o mundo e está pronto para ser distribuído. Foram entregues cópias antecipadas à imprensa, o que deu lugar à publicação de muitos trechos da obra. O próprio Bolton participa de uma série de programas de TV para divulgar o livro.

As afirmações do ex-funcionário, que tinha um nível de acesso privilegiado à Casa Branca, somam um novo problema para Trump, que está sob fogo cruzado por sua condução da pandemia do novo coronavírus e da tensão racial. Mas Bolton é rejeitado tanto pelos republicanos, que o veem como um sabotador, quanto pelos democratas, que o culpam por não ter testemunhado no Congresso na época do julgamento político de Trump. 

As reações dos apoiadores de Trump e do próprio presidente foram agressivas. “Disse tudo de bom sobre mim, até o dia em que o demiti”, tuitou o presidente americano esta semana. Já o secretário de Estado, Mike Pompeo, classificou Bolton como “traidor”. “Está divulgando uma série de mentiras, meias verdades completamente falsas e mentiras absolutas”, afirmou, em comunicado.

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