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Redução de anticorpos contra a Covid-19 pode ocorrer em até três meses, diz estudo

A redução dos níveis de anticorpos pode ter implicações nas estratégias de imunidade e nas pesquisas sorológicas que vêm sendo conduzidas

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Phillippe Watanabe
São Paulo, SP

Pessoas que tiveram Covid-19, com ou sem sintomas, apresentam queda nos níveis de anticorpos contra a doença entre dois e três meses após a infecção, aponta uma pesquisa publicada na última semana na revista científica Nature Medicine.

O estudo conduzido na China analisou 37 pessoas assintomáticas e 37 com sintomas moderados. Todas tiveram a infecção confirmada com o teste RT-PCR, considerado padrão-ouro para a detecção da doença.

Os pacientes foram analisados até oito semanas após deixaram o hospital. Segundo os pesquisadores, a maioria teve redução de anticorpos IgG, que indicam que a infecção ocorreu há mais tempo, podem durar bastante no sangue e, por isso, são considerados um bom marcador de imunidade.

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Além disso, os anticorpos IgG estavam abaixo do nível detectável em 40% dos voluntários assintomáticos e em 13% dos sintomáticos.

A redução dos níveis de anticorpos pode ter implicações nas estratégias de imunidade e nas pesquisas sorológicas que vêm sendo conduzidas.

“Os dados indicam os riscos do uso de passaportes de imunidade para a Covid-19 e dão suporte à continuidade de medidas de intervenção de saúde, incluindo distanciamento social”, afirmam os autores da pesquisa.

Em abril, a OMS disse que os chamados “passaportes de imunidade” não devem ser usados como estratégia para flexibilizar as quarentenas contra o coronavírus. O documento divulgado na época, que reviu 20 estudos científicos, disse que “não há evidências de que as pessoas que se recuperaram de Covid-19 (doença provicada pelo coronavírus) e tenham anticorpos estejam protegidas contra uma segunda infecção”.

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O risco é que pessoas com resultado positivo no teste passem a ignorar conselhos de saúde público, por se considerarem imunes a uma segunda infecção.

De acordo com o infectologista Leonardo Weissmann, consultor da SBI (Sociedade Brasileira de Infectologia), o estudo ainda não traz respostas definitivas, mas levanta pontos sobre uma possível segunda onda da pandemia a partir de reinfecções.

“O estudo sugere que não dá para confiar numa imunidade duradoura”, afirma Weissmann.

Os pesquisadores também analisaram as tomografias computadorizadas dos pacientes assintomáticos. Pacientes com Covid-19 grave costumam apresentar um padrão de vidro-fosco em suas tomografias pulmonares. Nas pessoas assintomáticas que participaram do estudo, 16 (pouco mais de 40%) não apresentaram quaisquer traços anormais.

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O ponto mais importante do estudo, segundo Weissmann, é que mesmo as pessoas que já tiveram Covid-19 precisam continuar com as medidas preventivas, como evitar aglomerações, usar máscaras e higienizar as mãos.

De toda forma, são necessários estudos mais amplos para se ter conclusões mais sólidas sobre a imunidade relacionada ao Sars-CoV-2.

As informações são da FolhaPress




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