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Há 50 anos, homens caminharam na Lua

Em 20 de julho de 1969, americanos pisaram no solo lunar, um feito que, para muitos, ainda é inacreditável. Mas foi, sem dúvida, “um gigantesco salto para a humanidade”

Lindauro Gomes

Publicado

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Vitor Mendonça
[email protected]

“Um pequeno passo para o homem, um gigantesco salto para a humanidade.” Assim disse Neil Armstrong logo ao colocar os pés na superfície lunar. Há 50 anos, completos amanhã (20), os seres humanos deram um dos maiores saltos da história – de cerca de 384,4 mil quilômetros, para ser mais exato.

Neil Armstrong, comandante, Buzz Aldrin e Michael Collins foram os encarregados de cumprir a missão Apollo 11, que possibilitou a chegada do homem à Lua. Outras quatro tentativas haviam sido feitas na busca do mesmo objetivo. Os três astronautas deixaram a Terra no dia 16 de julho de 1969 a bordo do foguete “Saturn V” e, quatro dias depois, pousaram no chamado “Mar da Tranquilidade”, a área plana escolhida da superfície lunar.

Ao entrarem na órbita da Lua, Armstrong e Aldrin partiram em direção a ela em um módulo denominado “Eagle” (águia, em português). Collins ficou a bordo, comandando a operação do módulo de controle, que ainda orbitava o satélite, chamado “Columbia”. A descida foi turbulenta: alarmes disparando, confusos, e poucos segundos de combustível restantes.

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Mas “a águia pousou”, como anunciou Armstrong para o mundo. Pousou e, diferentemente de outras conquistas na Terra, para a alegria ou decepção de muitos, nada nem ninguém além de puro vácuo e uma superfície cinzenta foram encontrados. Após seis horas da aterrissagem, Neil Armstrong saiu do módulo para explorar as novas terras.

APOLLO 11 CREW PORTRAIT. REF: JSC-S69-31740. ARMSTRONG, NEIL-A, COMMANDER; COLLINS, MICHAEL, MODULE PILOT; ALDRIN “BUZZ”, EDWIN E., LUNAR MODULE PILOT.

A exploração do satélite natural terrestre durou aproximadamente duas horas e 30 minutos e foram recolhidos pouco mais de 21 quilos de materiais encontrados, além de serem produzidas as emblemáticas fotografias dos astronautas. Ao todo, foram contabilizadas 21 horas em solo lunar. Ali também deixaram uma bandeira norte-americana, em memória dos compatriotas que primeiro tentaram o pouso tripulado na Lua a bordo da Apollo 1, em fevereiro de 1967.

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Todos os esforços para a conquista da ciência em tocar a superfície lunar foram iniciados nos Estados Unidos da América a partir de um discurso do ex-presidente John F. Kennedy, em 25 de maio de 1961. “Eu acredito que esta nação deve se comprometer em alcançar o objetivo, antes que a década acabe, de pousar o homem na Lua e trazê-lo de volta a salvo para a Terra.”

O compromisso do ex-presidente foi firmado antes mesmo que pedidos de acréscimos no investimento a pesquisas e desenvolvimentos espaciais fossem solicitados. Esses foram somados em mais de US$ 150 milhões. À época, os EUA estavam atrás na corrida espacial com a União Soviética: em outubro de 1957, a nação socialista havia colocado o primeiro satélite artificial da Terra em órbita, o Sputnik 1.

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Um mês depois, foi enviado o primeiro ser vivo ao espaço. Na cápsula Sputnik 2, a cadela Laika foi lançada no universo. O estopim para o país capitalista foi a primeira viagem do homem no espaço, concretizada pelo astronauta soviético Yuri Gagarin, em abril de 1961.

Há, porém, aqueles que duvidam da chegada do homem à Lua. Segundo levantamento do Datafolha, um em cada quatro brasileiros não acreditam no feito. Nos Estados Unidos, uma pesquisa similar revela que a porcentagem da descrença é de aproximadamente 6% da população. Na Rússia, antiga União Soviética e rival dos EUA na corrida espacial, mais da metade da população nega que o acontecimento tenha ocorrido: cerca de 57%.

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De toda forma, cada vez mais a humanidade se aproxima do imaginário explorado em filmes e livros de ficção científica. A começar pelas novas viagens planejadas pela Nasa. Em 2024, a organização promete novos saltos sobre a superfície lunar.

Conquista foi grande passo para novas tecnologias

A cada passada dos astronautas na Lua, embora pequenas, escrevia-se um novo capítulo na trajetória humana. O desejo de conquistar e alargar fronteiras é anterior às grandes navegações e tem crescido cada vez mais a partir da concretização daquela viagem.

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De lá para cá, outras sondas e missões ao satélite natural do planeta Terra foram feitas, mas a Apollo 11 foi a mais expressiva. Marcava um grande ponto dos Estados Unidos sobre a União Soviética na corrida espacial, bem no auge da Guerra Fria. A época representou um período de avanços relevantes na ciência mundial. A conquista da Lua há cinco décadas deixou um inegável legado que abriu caminhos para outras descobertas ainda por vir.

O desenvolvimento da tecnologia não parou de crescer. A corrida espacial fez com que a humanidade testemunhasse avanços tecnológicos facilmente encontrados no cotidiano atual. Segundo o professor José Leonardo Ferreira, do Instituto de Física da Universidade de Brasília, os resquícios do “pequeno passo” em 1969 podem ser encontrados em nossas mãos.

“Além do micro-ondas, toda a tecnologia que temos hoje que trabalha com frequências, até mesmo celulares e radares de aviões, foi desenvolvida a partir dessas tentativas de comunicação da Terra com as naves espaciais.

Foi desenvolvida da necessidade de se comunicar com frequências mais altas que as bloqueadas na ionosfera” (camada atmosférica que bloqueia frequências abaixo de 30 MHz, e que está de 60 a mil km de distância da superfície terrestre).

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Segundo o professor, o Brasil foi e é um dos países que têm papel importante no desenvolvimento da tecnologia de satélites. “Aqui no Brasil, o grande estímulo foi a questão dos satélites de monitoramento do solo brasileiro.

O Brasil, desde o início dos anos 60, se envolveu com pesquisas e começou a utilizar produtos da área espacial. Uma das primeiras coisas foi o satélite de comunicação e os satélites de sensoriamento remoto, que fazem o levantamento da superfície e fotografias. O Brasil, por ter grandes dimensões, sempre foi um país dependente dessa tecnologia”, afirma.

Sobre a participação brasileira no cenário espacial internacional, o professor afirma ainda que “o Brasil tem presença, mas ainda não é referência”. Entre os trabalhos realizados ao redor do mundo, a utilização de satélites de monitoramento tem sido a frente do país na área. “O Brasil desenvolve veículos lançadores de satélites (foguetes utilizados para colocar satélites em órbita) para sondagem na ionosfera. Muita gente não sabe, mas há foguetes que são desenvolvidos aqui no Brasil e lançados, por exemplo, na Noruega para fazer sondagem e experimentos com microgravidade”, diz.

De acordo com o professor de engenharia aeroespacial da UnB, Willian Reis, a tecnologia utilizada para viagens espaciais está mais perto do que imaginamos. “O que a gente usa hoje de comida desidratada, certamente foi a partir dos desenvolvimentos feitos pela Nasa, pelas agências espaciais. Até mesmo o leite desnatado se deu a partir de avanços tecnológicos que as missões espaciais proporcionaram. […] A maioria dos sensores das máquinas fotográficas também foram melhor desenvolvidos naquela época. A tecnologia utilizada para as fotografias do homem na lua era das mais avançadas.”

O desenvolvimento, no entanto, é gradual. Ele explica que o anseio em ocupar o espaço tornou-se uma preocupação internacional. “O problema atual está nos space debris, ou lixo espacial. […] Então o novo conceito agora não é lançar satélites de grande porte, mas menores, que são os micro, nano e pico satélites”, diz o professor. Esses tipos de equipamento variam o peso entre um e cem quilos. “Existem aqueles desenvolvidos para terem o tamanho da tampa de uma caneta”, completa. Ou seja, o universo é o limite para a imaginação do homem (Vitor Mendonça)




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