fbpx
Siga o Jornal de Brasília

Mundo

Deputado é condenado à prisão por usar símbolo nazista na Eslováquia

Foi a primeira vez que um tribunal da Eslováquia condenou um parlamentar à prisão. Kotebla, 43, recorreu à Suprema Corte

Avatar

Publicado

em

PUBLICIDADE

Ana Estela de Sousa Pinto
Bruxelas, Bélgica

O deputado Marian Kotleba, líder do partido de extrema direita Partido Popular Nossa Eslováquia (LSNS), foi condenado na segunda (12) a quatro anos e quatro meses de prisão pelo uso de símbolos nazistas.

Foi a primeira vez que um tribunal da Eslováquia condenou um parlamentar à prisão. Kotebla, 43, recorreu à Suprema Corte; se o veredito for confirmado, perderá também o mandato.

O episódio que levou à condenação do deputado aconteceu em 2017, numa comemoração do aniversário de fundação do Estado eslovaco fascista (1939-1945), na cidade de Banska Bystrica, no centro do país.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Kotleba distribuiu a famílias de baixa renda cheques de 1.488 euros (cerca de R$ 9.200). O problema não estava no valor em si, mas o fato de que os algarismos formam símbolos nazistas usados de forma intencional, segundo o entendimento da Justiça eslovaca.

O 14 faz referência a uma saudação de 14 palavras criada pelo supremacista branco David Lane e usada como grito de guerra por extremistas racistas: “Devemos assegurar a existência de nosso povo e um futuro para as crianças brancas”.

O 88 simboliza a saudação nazista “Heil Hitler” (salve Hitler), porque o H é a 8ª letra do alfabeto.
O tribunal considerou Kotleba culpado de agir para suprimir direitos e liberdades fundamentais. Em sua defesa, o deputado afirmou que o número era uma coincidência e leu uma lista de produtos que têm os mesmos algarismos.

A decisão na Eslováquia ocorre seis dias depois da condenação, na Grécia, do partido neonazista Amanhecer Dourado, em julgamento considerado um dos mais importantes da história política do país.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

O partido foi declarado “organização criminosa”, e seus líderes podem ser condenados a penas severas.

Na Eslováquia, Kotleba já defendeu publicamente que muçulmanos sejam expulsos e quer a saída do país da Otan, aliança militar entre países europeus e norte-americanos. Também é conhecido por atacar os ciganos em seus discursos e por promover marchas de seu partido com uniformes pretos semelhantes ao da milícia eslovaca que apoiava o nazismo na Segunda Guerra Mundial.

A cidade do evento que levou à condenação do parlamentar, Banska Bystrica, também está ligada à história da Segunda Guerra, mas como símbolo de luta contra os nazistas.

Foi de lá que partiu o chamado Levante de 1944, insurreição armada contra o governo colaboracionista. A coluna foi derrotada dois meses depois, mas a guerrilha se manteve até o final do conflito.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

O partido de Kotleba surpreendeu ao receber 8% dos votos nas eleições parlamentares de 2016 (14 dos 150 assentos na Câmara). Promotores tentaram bani-lo por extremismo, mas o pedido foi rejeitado pela Suprema Corte. Em fevereiro deste ano, outra vez com 8%, o LSNS foi o quarto partido mais votado nas eleições parlamentares eslovacas, elegendo 17 deputados.

A agremiação foi formada depois que o partido neofascista União Eslovaca – Partido Nacional foi dissolvido em 2006 pela Suprema Corte, que o considerou anticonstitucional. Kotleba liderou a migração de seus membros para um partido nanico já registrado e, em 2010, adotou o atual nome.

Nos últimos anos, segundo a mídia eslovaca, o LSNS atenuou o discurso de ódio, adotando slogans como “lei e ordem” e “defesa dos eslovacos decentes” contra o que chama de “perigo do liberalismo de imigração” patrocinado pela União Europeia.

As informações são da FolhaPress

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE



Leia também


Publicidade
Publicidade
Publicidade