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Morando Fora

Na era da globalização, o amor não tem fronteiras

A globalização chegou aos corações.

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A globalização chegou aos corações. Casa-se hoje com estrangeiros como nunca. Viagens de turismo e a trabalho, namoros on line ou em aplicativos como Tinder estão formando casais biculturais, milhares de famílias de diferentes origens pelo mundo afora. Não é possível conseguir uma estatística única, mas diversos artigos, textos e estudos comprovam a tendência mundial e também brasileira. De acordo com o documento de Robert Muro, Family in Transition, de 2002, o número de famílias norte americanas frutos de uniões inter-raciais quase dobrou desde 1980: passou de 3% para 5%.

Na Espanha

As brasileiras lideram as preferências dos homens espanhóis entre as estrangeiras na hora de casar, segundo pesquisa divulgada quinta-feira pelo Instituto de Política Familiar da Espanha, conforme a BBC.

Só em 2007, 14,2% de todos os casamentos civis aconteceram entre homens espanhóis e mulheres brasileiras. A pesquisa mostra também que o número de casamentos entre locais e estrangeiros disparou no país nos últimos sete anos. Entre 2000 e 2007, os matrimônios entre locais e forasteiros aumentaram em 186%, passando de 11.974 uniões para 34.223.

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Em Portugal

Por falarem a mesma língua, fica claro que Portugal não poderia ficar de fora dessa estatística. O jornal Diário de Notícias trouxe a notícia de que Portugueses e brasileiras lideram casais mistos naquele país. Em 2009, foram realizados 4.634 casamentos de portugueses com estrangeiros, 11,5% do total das uniões. Em 2009, as uniões entre portugueses e brasileiras constituíram 48% dos casamentos mistos.

Na Suíça

Aqui pelo meu lado, a situação também impressiona. De acordo com os dados do Departamento Federal de Estatísticas Suíço, cerca de 49% dos matrimônios no país têm perfil binacional, o que significa que um dos cônjuges dispõe de outra nacionalidade.

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Basta dar uma volta pelas maiores cidades do país para confirmar os dados: as brasileiras, ouvidas e vistas em vários pontos do país, estão em segundo lugar na preferência dos suíços para casar. As alemãs ocupam a liderança. Eu mesma integro essa estatística. Aliás, só moro nesse país porque me casei com um estrangeiro em 2004.

Muitas perguntas e reflexões

Para refletir: não adianta muro, proibição ou até mesmo preconceito. Na hora de namorar, etnia e cultura não falam tão alto assim. Mas, mesmo com todo romantismo que voa sem fronteiras pelo mundo, uma pergunta não pode ser ignorada: será que essas pessoas sabiam ou sabem o que significa emigrar? Elas se preparam para viver fora do país ou para dividir a vida com um cônjuge de cultura diferente, ou simplesmente deixaram o Brasil para viver um grande amor?

Diante do alto índice de casamentos entre diferentes nacionalidades, abordei o tema para a minha coluna da Swissinfo.ch, a Suíça de Portas Abertas. Para o artigo, conduzi pesquisa empírica com 15 mulheres brasileiras casadas com locais. Queria saber se elas seguiam simplesmente seu sonho e se embarcavam sem muita ou quase nenhuma informação. Bingo, vão embora com a cara e a coragem e sem quase qualquer preparo para a empreitada.
Isso não significa que o relacionamento não dará certo, mas pesquisa prévia garante que informação e preparo trazem maiores taxas de sucesso e menos frustração. Afinal de contas, qualquer união, mesmo quando inclui pessoas de uma mesma cidade, já torna-se complexa pela simples constituição de pelo menos duas culturas diferentes. Imagina quando envolve casais tão distintos.

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Intrigada pelo assunto, com a cabeça fervilhando de tantas ideias e questões, decidi escrever um livro sobre o assunto. Afinal, vivo na pele o fato de constituir família com cônjuge de origem muito diferente da minha. Fui meio que jogada na tarefa, mas me lancei de cabeça. São muitas questões em aberto: seriam as brasileiras as preferidas mesmo ou é só uma questão do acaso? A diferença cultural seria capaz de azedar o relacionamento ou é o tempero da união? Como é criar filho com o cônjuge de um outro país?

A família dos noivos é outro tema que me desperta curiosidade. Como lidam com a questão? A mudança cultural dos filhos que vão embora atrapalha o relacionamento no retorno ao país de origem ou quando se visitam? Eu acho que sim. Quais seriam as melhores estratégias para viver um casamento desse tipo?

Livro em andamento

Essas perguntas me vêm em conversas, em várias esferas da minha existência. Ouço em entrevistas que faço como jornalista, nas seções do projeto que coordeno junto com a aconselhadora psicológica Graziela Velardo Birrer, o Migração em Debate aqui na Suíça e até mesmo em conversas com amigas.

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Confesso que brigo comigo mesma, com meu tempo dividido entre mãe, dona de casa sem empregada e profissional para vencer minha preguiça e as tarefas do dia a dia para me sentar diante do computador e escrever sobre esse tema que tanto me fascina. Tomara que desperte o interesse dos leitores que vivem o mesmo dilema e se sentem perdidos diante das diferenças.

Aproveito a coluna para lançar a ideia e até, quem sabe, ouvir do leitor sua opinião a respeito. Ainda não tenho editora ou data para lançamento, mas não faltam boas histórias para compor o material. O fato é que existe pouca literatura sobre o assunto em português e muitos brasileiros casados pelo mundo.

Diante de tantos questionamentos e poucas respostas, encerro a coluna de hoje para me dedicar a esse novo bebê, que mesmo antes de nascer, já me tira o sono e me dá alegrias.


Liliana Tinoco Bäckert é jornalista e tem mestrado em Comunicação Intercultural pela Universidade da Suíça Italiana. Carioca, tem dois filhos, é casada com um alemão e vive naquele país desde 2005, onde também trabalha como treinadora intercultural independente. Decidiu transformar o próprio choque cultural em combustível para ajudar outros brasileiros que já vivem fora ou que pretendem se lançar nessa aventura globalizada.

 


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